A notícia veiculada pela imprensa nacional, de que o povo cabo-verdiano é o mais lindo do mundo – isto de acordo com uma pesquisa científica- afinal, não é verdade. Na realidade, um estudo publicado em 2013, dá conta que a população de Cabo Verde, “apresenta características únicas porque tem um nível de miscigenação absolutamente extraordinário entre africanos e europeus”. Investigadores da Universidade do Porto lideraram uma equipa internacional que descobriu novos genes que explicam a diversidade da cor da pele e dos olhos na população africana e europeia, depois de estudar a população deste arquipélago. A investigação desenvolvida por esta equipa, que contou com investigadores do CIBIO – Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (Universidade do Porto) e do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (IPATIMUP), foi tema de capa da edição de março de 2013 da PLoS Genetics. Nuno Ferrand (diretor do CIBIO) afirma que o estudo representa “um excepcional avanço na compreensão do determinismo genético da cor da pele e da cor dos olhos, talvez as mais relevantes características fenotípicas da espécie humana”. A pesquisa “Genetic Architecture of Skin and Eye Color in an African-European Admixed Population” – que numa tradução livre seria “Arquitetura Genética das Cores da Pele e dos Olhos numa População de Mistura africana-europeia – tinha como objetivo explicar como os genes trabalham para controlar a gama de diversidade fenotípica pigmentada, de modo a proporcionar uma nova visão sobre a evolução dessas caraterísticas, e fornecer um modelo para a compreensão de outros tipos de variação quantitativa em populações miscigenadas. “Estudamos uma população única em Cabo Verde […], em que grande mistura entre indivíduos de ascendência portuguesa e africana deu origem a uma ampla gama de fenótipos e proporções do genoma ancestral” lê-se no artigo publicado pela PLoS Genetics. Este estudo concluiu que existem muitos mais genes que influenciam a cor da pele do que a comunidade científica previa e “desfaz as relações históricas ou temporais existentes entre a cor dos olhos e a cor da pele” já que atribui uma importância muito maior às relações biológicas e químicas. Certamente somos um povo muito bonito mas para isto ser cientificamente provado, já são outros quinhentos.
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