Caloiro PALOP

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A vida universitária começa como uma montanha russa. Primeiro, o friozinho na barriga, mas motivados para conhecer o novo caminho. No entanto, ao longo desse caminho, começamos a deparar o quão difícil e desafiador é a montanha. A montanha russa, de ser um estudante, ESTRANGEIRO e AFRICANO.

Esse realce não o faço atoa! Africano-PALOP, estudante universitário em Portugal, começa a deparar com dificuldades muito antes de chegar ao destino. E um desses entraves, é o visto! É a burocracia que fatiga e maltrata o jovem, que só quer se formar. Não se pode afirmar com certeza, se acontece com todos os africanos, mas Angola, Cabo Verde e Guiné-Bissau, é gritante. Vou contar-vos a realidade berdiana, para quem desconhece.

Em Cabo Verde, supostamente temos o acordo especial com U.E, mas na mesma, a embaixada de Portugal em C.V., continua impondo barreiras aos nossos estudantes. Exigem tudo e mais alguma coisa para a candidatura e posteriormente para o visto, sem falar no dinheiro gasto com os documentos, não se esquecendo que quem é de outras ilhas (fora da ilha de Santiago), gasta o dobro, em fim há que se ter muita paciência e serenidade, para engolir muitos “sapões”.

Após ultrapassar a primeira burocracia, vem a espera… espera… espera, uma espera longa e desesperadora, para quem já sabe que tem uma vaga à sua espera na universidade portuguesa, mas mesmo continua esperando…

É raro, os alunos estarem em Portugal antes do mês de Setembro ou no início do mesmo. No meu caso em particular, só cheguei na segunda semana de Outubro, depois da maioria dos meus colegas caloiros, já terem conhecido a universidade inteira e terem começado assistir as aulas. Desespero! Stress!

Agora, imaginem um estudante que não conhece ninguém particularmente na cidade/universidade para o qual vai estudar, como irá potenciar uma boa integração? E ainda mais em Portugal, onde o português para interagir contigo, sabendo que és estrangeiro (africano) é meio complicado, está na natureza de muitos, mas não de todos. Um caloiro ainda é um puto, se não for “cara podre”, para abordar, vai se ver condenado à solidão.

E os professores, nem vós conto! Estes já supõem que és o Einstein, com diploma de ensino secundário, até podias ser, mas a partir dessa premissa e principalmente vinda de um Professor(a), que tem o dever de dar a conhecer e potenciar a aprendizagem de um estudante, é meio discriminatório supor isso! Ao contrário do estudante Erasmus, que já vem com guia, tutor, apartamento, etc, arranjado, antes mesmo de por o pé em solo português, o africano tá por conta própria, dependendo da ajuda de compatriotas que estão ali, sendo que nem sempre o compatriota é solidário. 

A solução por vezes inevitável, é a PRAXE. É o meio, o caminho, a solução, para quem se depara com dificuldades de integração, pois a integração à vida universitária é fundamental, pois não podemos supor que todos vêm de realidades iguais e se adaptam com facilidade à nova realidade, é completamente falso!

Um estudante estrangeiro sempre é diferenciado, quer seja pelo lado positivo ou pelo lado negativo. No meu caso e caso de muitos amigos africanos que conheço, a Praxe foi importante para contrastar e interagir com a realidade portuguesa e universitária, nem tudo é um mar de rosas na praxe. És humilhado e amedrontado até ao ponto que passas a adorar aquilo e a humilhação passa a ser motivo para brincadeiras, grandes gargalhadas, amizades e até relacionamentos amorosos. Embora, pense que nenhum ser humano precisa de ser humilhado para conhecer o lado bom da vida, infelizmente o mundo de hoje é um reflexo dessa vivência!

Nem tudo é certo, sendo assim como existem estudantes que nunca puseram os pés na Praxe e se integraram bem, existe os que nunca estiveram fora da Praxe e se integraram bem.

É uma conjuntura de fatores que influenciam esse processo. No entanto, não posso deixar de apontar situações caricatas que já passaram comigo e já passaram com outros colegas africanos, situações em que és julgado de inferior em termos de capacidade de aprendizagem/inteligência, devido ao preconceito inerente na mente da sociedade portuguesa e não só, tens de aprender o dobro, argumentar o triplo, para provar o contrário e quando essa prova acontece…Do rei da ignorância passas a ser o Rei! Que é bajulado! Uma forma de interesse, em que podes ser usado e de seguida descartado, podendo originar “amizades” da mesma bajulação.