Governo esclarece posição em relação ao estreitamento das relações com Israel

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O Governo de Cabo Verde nesta quinta-feira um comunicado de imprensa no qual esclarece a posição do executivo em relação à “intenção do Governo de estreitar os laços de cooperação com o Estado de Israel”.

“O estreitamento dos laços de cooperação com o Estado de Israel não tem correlação e tampouco implica qualquer desvinculação dos valores éticos que norteiam a coexistência pacífica dos povos onde, naturalmente, se inserem os direitos inalienáveis à paz, à autodeterminação e à prosperidade” lê-se no comunicado do Governo, para desmentir “especulações sobre uma pretensa intenção do Governo de Cabo Verde de se desvincular dos princípios básicos que norteiam a relação entre os povos”.

De acordo com o documento do Governo, a pretensão de aprofundar a cooperação com os diversos sujeitos de um mundo cada vez mais globalizado e que requer respostas múltiplas a questões múltiplas, “não pode ser mecanicamente associada a uma renúncia de valores ou princípios, como sub-repticiamente defendem alguns desavisados e boiada de serviço”.

O Governo considera que as “coléricas especulações” que circulam nas redes sociais “não constituem actos isolados e nem decorrem de exteriorizações ou arrebatamentos intempestivos de quem esteja indignado com uma situação particular” mas constituem a revelação de “uma estratégia dissimulada e reveladora da forma como o PAICV decidiu exercer a oposição democrática”.

O comunicado do Governo acusa o maior partido da oposição de recorrer “a escribas de serviço, uns absolutamente irreflectidos e inconsistentes, outros, mais subtis e ardilosos”, tentando conferir “credibilidade aos seus argumentos” com recurso a um “pretenso conhecimento” de meandros devido às “altas funções” que desempenharam no passado.

O Governo assume que “os interesses de Cabo Verde vêm em primeiro lugar” e lembra a “alguns escribas, então dirigentes de cúpula do partido no poder” posições assumidas pelo Governo da primeira república que, em defesa dos interesses da Ilha do Sal e de Cabo Verde, “foi o único pais da África a manter relações económicas com a África do Sul, ao permitir a escala dos aviões da companhia aérea sul-africana, não obstante um embargo de toda a comunidade internacional”.

“O Governo de Cabo Verde irá continuar a trabalhar para desenvolver e consolidar as relações de cooperação e de amizade com o Estado de Israel” indica o comunicado do Governo acrescentando que “brevemente designará um embaixador não residente naquele país do médio oriente” porque, acrescenta o documento, “os interesses de Cabo Verde vêm sempre em primeiro lugar”.

O executivo cabo-verdiano diz-se consciente de que essas “maquinações, urdidas em nome de uma alegada ascendência moral e revolucionária”, estão “claramente em contramão” com as mais legítimas aspirações dos cabo-verdianos, razão porque “não se desviará um milímetro sequer” da sua opção “pragmática e objectiva” da nova diplomacia que quer, “com audácia, determinação e responsabilidade”, desenvolver para fortalecer, no quadro da “defesa intransigente” dos direitos humanos, da democracia, das liberdades e do primado da lei, as suas relações externas com os demais países que compõem a comunidade internacional.

“Cabo Verde é um protagonista activo e útil do sistema das Nações Unidas e tem desempenhado um papel importante no concerto das nações, na aproximação dos povos e na luta pela paz e prosperidade em todo o mundo”, lê-se ainda no comunicado publicado na página oficial do Governo.

O Palácio da Várzea conclui acrescentando que Cabo Verde propugna por relações diversificadas e baseadas nos princípios “da soberania, do respeito mútuo, da coexistência pacífica das nações e da resolução pacífica dos conflitos”.

O Executivo de Ulisses Correia e Silva refuta, assim, a acusação de se desvincular dos princípios básicos que norteiam a relação entre os povos, designadamente “o reconhecimento do direito à autodeterminação e, ainda, de estar a distanciar-se das resoluções legitimamente adoptadas pelas Nações Unidas”.

Fonte: Inforpress

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