O governo são-tomense anunciou recentemente o corte de relações diplomáticas com Taiwan e o reconhecimento da República Popular da China. O Governo chinês agradeceu a São Tomé e Príncipe (STP) pela decisão de cortar relações diplomáticas com Taiwan.

O anúncio foi feito em comunicado saído de uma reunião do Conselho de Ministros e assenta no reconhecimento do princípio da existência de uma só China. No comunicado de oito parágrafos, o governo refere a “conjuntura internacional actual e da sua perspectiva de evolução e tendo em conta a agenda de transformação do país e os objectivos de desenvolvimento do milénio” como um dos motivos da ruptura com Taiwan.

O Governo chinês agradeceu a São Tomé e Príncipe pela decisão de cortar relações diplomáticas com Taiwan e reconhecer a República Popular da China, aceitando Pequim como o único Governo legítimo de toda a China.

“A China agradece e dá as boas-vindas ao regresso de São Tomé e Príncipe ao lado certo do princípio ‘Uma só China'”, afirmou Hua Chunying, porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, citado num comunicado.

Taiwan, por seu lado, acusou São Tomé e Príncipe de pedir “uma quantia astronómica em apoio financeiro”, depois de o país ter anunciado a decisão de cortar relações diplomáticas com a ilha e reconhecer a República Popular da China.

Taipé apoiou São Tomé “dentro das suas possibilidades”, mas não conseguiu satisfazer as “exigências” do país africano, afirmou em conferência de imprensa o ministro dos Negócios Estrangeiros taiwanês, David Lee. O ministério disse ainda, através de um comunicado, que São Tomé tentou “tirar proveito ao balançar entre os dois lados do Estreito” de Taiwan.

Taiwan “lamenta a decisão abrupta e hostil do Governo de São Tomé e Príncipe e condena a sua acção”, refere o ministério.

Segundo um diplomata taiwanês, citado pela agência de notícias EFE, a decisão de São Tomé surge depois de Taiwan ter rejeitado um pedido do país de 100 milhões de dólares em apoio financeiro.

Pequim considera Taiwan uma província chinesa e defende a “reunificação pacífica”. Já Taiwan, a ilha onde se refugiou o antigo Governo chinês depois de o Partido Comunista (PCC) tomar o poder no continente, em 1949, assume-se como República da China. Pequim e Taipé afirmam que existe uma só China.

O corte de relações com Taiwan abre a porta à entrada de São Tomé no Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, conhecido como Fórum Macau, criado em 2003 por Pequim.

A decisão de São Tomé reduz para 21 os Estados que mantêm laços diplomáticos com Taipé, incluindo dois em África – Suazilândia e Burkina Faso – e a Santa Sé.

Fonte: Lusa
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