Ataque de rebeldes na RDCongo mata pelo menos 107 civis

Pelo menos 107 civis foram mortos entre domingo e hoje num ataque do grupo rebelde Cooperativa para o Desenvolvimento do Congo (Codeco) a um campo de deslocados internos e aldeias circundantes no nordeste da República Democrática do Congo (RDCongo).

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“O número é muito elevado e pode piorar, porque a tragédia ocorreu num campo de deslocados internos. Até agora, foram contados 107″, disse o representante local da sociedade civil, Jean Bosco Lalo, citado pela agência de notícias espanhola Efe.

Lalo explicou que o ataque começou no domingo e continuou durante todo o dia de hoje nas cidades de Drodo – onde existe um campo de deslocados – e Lugu, ambos localizados em território Irumu, na província de Ituri.

Ao início da tarde de hoje fontes militares e ativistas, também citadas pela Efe, disseram que o ataque realizado no domingo, alegadamente, pela Codeco, tinha causado a morte de pelo menos 12 civis na província de Ituri, no nordeste da RDCongo.

De acordo com as mesmas fontes, o ataque foi realizado em vários locais do território de Djugu e no campo de deslocados internos de Drodo.

“Após operações de busca no campo de deslocados internos de Drodo e arredores, foram encontrados 12 civis mortos”, disse o porta-voz do exército na província de Ituri, Tenente Jules Ngongo, citado pelos meios de comunicação locais.

Mas o representante dos jovens da cidade vizinha de Largu, Maki Bataga, já advertiu também que o número de mortes resultantes deste ataque poderia ser ainda maior. “Porque os rebeldes estão na floresta e não há maneira de sair para procurar os corpos”, frisou.

O líder da sociedade civil de North Bahema (uma das aldeias atacadas), Charité Banza, confirmou aos meios de comunicação locais que “o campo de deslocados em Drodo foi incendiado” e que todas as casas dos deslocados transformaram-se em cinzas.

As províncias de Ituri e do vizinho Kivu do Norte registaram um aumento do número de ataques de rebeldes e de mortes de civis durante o último ano, levando o governo congolês a declarar o estado de sítio no final de abril.

Apesar desta medida e de uma maior presença militar na região, o Congo Research Group, um projeto de investigação independente sobre o país, registou mais de 1.000 civis mortos nos últimos sete meses.

O Codeco é um grupo rebelde, pouco conhecido, que nasceu em 2018 com o objetivo de lutar contra os abusos do exército regular congolês, embora tenha cometido numerosos assassinatos de civis.

De acordo com a entidade local de segurança Kivu Security Tracker, estes rebeldes já mataram pelo menos 229 pessoas em quase 250 ataques, o que faz deles atualmente a segunda milícia mais mortífera da região.

Desde 1998, o leste da RDCongo tem sido palco de conflitos, alimentados por milícias rebeldes e ataques de soldados do exército, apesar da presença da missão de manutenção da paz das Nações Unidas (Monusco), que enviou mais de 14.000 soldados.

A ausência de alternativas e de meios de subsistência estáveis levou milhares de congoleses a pegar em armas e, segundo o Kivu Security Tracker, esta região é agora o campo de batalha de pelo menos 122 grupos rebeldes.

Por: Lusa