Bolsa de Cabo Verde renova máximos e chega a 729 M€ de capitalização até junho

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A capitalização da Bolsa de Cabo Verde (BCV) aumentou mais de 4% até junho, para um novo máximo de 729 milhões de euros, segundo dados da instituição, que também reconhece uma quebra nas operações devido à pandemia.

De acordo com o relatório extensivo do primeiro semestre deste ano, a que a Lusa teve hoje acesso, esse crescimento é explicado “pelo volume acumulado de novas emissões ser superior ao volume de amortizações ocorridas” entre o final do primeiro semestre de 2019 e junho último.

A capitalização bolsista (aproximação do valor de mercado das empresas e títulos) da BCV chegou aos 80.789 milhões de escudos (729 milhões de euros), um crescimento de 4,11% face ao primeiro semestre 2019, considerando ainda todos os títulos admitidos à cotação, como ações ordinárias, títulos do Tesouro, obrigações municipais e obrigações ‘corporate’ (de empresas).

Passou a equivaler a 42% do Produto Interno Bruto (PIB) de Cabo Verde, mas, à semelhança dos períodos anteriores, destacando-se pelo movimento dos Títulos do Tesouro cabo-verdiano, que representaram 86% da capitalização bolsista, seguido do segmento acionista, com cerca de 8%.

A capitalização da bolsa cabo-verdiana tem registado valores máximos consecutivos e um crescimento de 12,5% de 2016 a 2019, segundo dados noticiados anteriormente pela Lusa.

Ainda segundo o mesmo relatório, em 30 de junho de 2020 estavam admitidos à cotação no mercado de cotações oficiais da bolsa cabo-verdiana um total de 190 títulos, 177 dos quais eram Títulos do Tesouro, sete eram obrigações ‘corporate’, duas eram obrigações municipais e quatro referentes a ações ordinárias de empresas.

Apesar dos efeitos económicos da pandemia de covid-19 também no arquipélago, a bolsa de valores voltou a crescer até junho quando comparado com o primeiro trimestre, quando atingiu a capitalização de 77.493 milhões de escudos (cerca de 704 milhões de euros), o equivalente a 37% do PIB de Cabo Verde.

Ainda assim, o relatório alerta que os efeitos da pandemia podem vir a afetar a “dinamização da bolsa” em Cabo Verde, algo que “pese embora com alguma timidez, já se nota em termos de operações realizadas durante o primeiro semestre de 2020”.

“Neste primeiro semestre, pode-se destacar que o número de títulos cotados teve uma redução de 3,5% face aos registos do primeiro semestre de 2019, situação explicada pelo menor número de novas emissões face ao número de amortizações de títulos antigos”, lê-se.

O relatório refere que até junho a Bolsa registou ainda “uma redução em todas as operações” realizadas nos mercados primário e secundário, com quebras 8,97% e 52,6%, respetivamente, face ao período homólogo de 2019.

A Bolsa de Valores de Cabo Verde foi criada em maio de 1998 e conta ainda com quatro empresas cotadas, com destaque para o Banco Comercial do Atlântico (BCA, detido pelo grupo Caixa Geral de Depósitos) e para a Caixa Económica, e outras que emitem obrigações.

Os acionistas da Cabo Verde Telecom (CV Telecom), principal operadora de telecomunicações do país, aprovaram em 2018 a entrada da empresa em bolsa, que ainda não se concretizou.

Por: Lusa