A inflação no Brasil subiu 1,06% em abril, o maior resultado para o mês desde 1996 (1,26%), informou hoje o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No ano, a inflação no país sul-americano acumula um aumento de 4,29% e, nos últimos 12 meses, de 12,13%, acima dos 11,30% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em abril de 2021, a variação positiva dos preços havia sido de 0,31%.

Segundo o IBGE, os principais segmentos que sustentaram os reajustes foram as categorias alimentação e bebidas (2,06%) e transportes que registou um aumento de 1,91%.

Juntos, os dois grupos contribuíram com cerca de 80% da inflação no Brasil em abril.

“Alimentos e transportes, que já haviam subido no mês anterior, continuaram em alta em abril. Em alimentos e bebidas, a alta foi puxada pela elevação dos preços dos alimentos para consumo no domicílio (2,59%)”, explicou o analista do IBGE, André Almeida.

No caso dos transportes, a subida foi puxada, principalmente, pelo aumento nos preços dos combustíveis que continuaram subindo (3,20%), assim como no mês anterior, com destaque para gasolina (2,48%).

“A gasolina é o subitem com maior peso na inflação (6,71%), mas os outros combustíveis também subiram. O etanol subiu 8,44%, o óleo diesel 4,74% e ainda houve uma alta de 0,24% no gás veicular”, indicou Almeida.

Houve ainda aceleração nos preços de produtos e serviços dos grupos saúde e cuidados pessoais (1,77%) e artigos de residência (1,53%). O único grupo a apresentar queda de preços em abril foi habitação (-1,14%).

Com o resultado de abril, o Brasil acumula oito meses seguidos com a inflação acima dos dois dígitos, o que reforça as apostas de nova elevação da taxa básica de juros, atualmente em 12,75% ao ano no país sul-americano, o que poderá ter impacto no crescimento da maior economia da América Latina já que juros altos encarecem o crédito.

A subida de preços tem sido um desafio para o Banco Central brasileiro que já admitiu que a meta de inflação deve superar pelo segundo ano seguido o teto estabelecido de 3,5% para 2022, com margem de 1,5 pontos percentuais para mais ou para menos.

Por: Lusa