Cabo Verde está a preparar a sua inclusão nas rotas do turismo do património subaquático

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Cabo Verde está a preparar a sua inclusão nas rotas do turismo do património subaquático, e para isso já formou técnicos e parceiros, sensibilizou comunidades e inventariou o património, disse hoje o presidente do Instituto do Património Cultural (IPC).

“Temos estado a desenvolver todo um trabalho de formação, de sensibilização, de catalogação e inventariação desses bens antes da sua promoção enquanto ativo turístico”, disse Hamilton Jair Fernandes, durante a apresentação do projeto Margullar, no “I Congresso da Arqueologia Subaquática da Macaronésia”, que decorre nas Canárias.

Segundo presidente do IPC, a primeira ação de Cabo Verde vai ser a inclusão do país nas rotas do turismo património subaquático da Macaronésia, para depois ser a nível mundial.

“Está em preparação, como é uma atividade assumida no Margullar I, iremos levar para o Margullar II”, garantiu, dizendo que em paralelo vão ser criadas todas as condições legais e de fiscalização.

“Tem de ser sempre um trabalho contínuo, envolvendo a Polícia Nacional, as universidades, o Ministério da Defesa”, referiu Jair Fernandes, lembrando que Cabo Verde ratificou a Convenção da UNESCO de 2001 sobre o património cultural subaquático e vai ratificar a convenção contra o tráfego ilícito de bens culturais.

“Que acaba por ser sempre uma convenção que complemente a convenção de 2001, considerando a fragilidade dos nossos mares”, salientou.

Relativamente ao projeto Margullar para Cabo Verde, o presidente do IPC disse que já foi criado um grupo de ação local, dado formação aos parceiros, criado um plano de ação local, feito inventário subaquático e realizado formação profissional em mergulho.

Segundo o líder institucional, o objetivo das autoridades cabo-verdianas é criar as bases legais e formais e envolver a comunidade para proteger os mares do arquipélago, de quase um milhão de quilómetros quadrados.

O projeto Margullar foi desenvolvido em parceria com as ilhas da Macaronésia (Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde) e visa articular o património e turismo através da realização de trabalhos de arqueologia subaquática para a preservação e conservação do património marinho, para a sua posterior valorização e aproveitamento, com foco na melhoria da atratividade e promoção do turismo nestas regiões.

Durante o primeiro Congresso da Arqueologia Subaquática da Macaronésia os territórios estão a compartilhar conhecimentos e boas práticas que existem na arqueologia subaquática atual.

Cabo Verde é Estado-membro da convenção do Património Cultural Subaquático e tem primado para a salvaguarda deste património, adotando medidas legais e institucionais para o efeito, destacando-se ainda a recuperação e compilação de documentos relativos à arqueologia subaquática, nomeadamente os naufrágios.

Segundo o IPC, ainda dentro deste projeto está em carteira a criação e colocação de sinaléticas, curso de formação em arqueologia subaquática, criação do Circuito Turístico e Inclusão em diferentes redes institucionais de Cabo Verde.

E lembrou que recentemente denunciou e solicitou a colaboração e atuação de autoridades nacionais no alegado roubo e o empilhamento de bens com valor patrimoniais que se encontram no fundo do mar da ilha do Maio.

“Uma denúncia que efetivou no sentido de haver uma atuação célere possível, para evitar a destruição e pilhagem do património subaquático da República de Cabo Verde”, referiu o IPC em comunicado.

Por: Lusa