Cidade da Praia e Cidade Velha designadas Capitais da Cultura da CPLP para o biénio 2018-2020

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A Cidade da Praia e a Cidade Velha foram designadas ontem Capitais da Cultura da CPLP para o biénio 2018-2020, até o fim do período de vigência da presidência rotativa de Cabo Verde em 2020.

A decisão, que saiu do XI Reunião de Ministros da Cultura da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), realizada esta sexta-feira na capital cabo-verdiana, foi anunciada pelo ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Abraão Vicente, que considerou o momento “simbólico”.

“Celebrar Cidade Velha e Cidade da Praia, sendo um património da humanidade e outro símbolo da nossa capitalidade do país e da modernidade, capitais da CPLP e da Lusofonia é, de todo, um acto simbólico”, declarou o governante.

Conforme Abraão Vicente, Cabo Verde não é um país que nasceu de um momento tenebroso de tráfico de escravos, mas uma nação que nasceu de um encontro de povos de várias latitudes e que “orgulhosamente” criou uma cultura e identidade própria, que se espalhou pelo mundo e que hoje, de uma forma resiliente, se afirma como nação-Estado.

Segundo disse o titular da pasta da Cultura e das Indústrias Criativas, Cabo Verde como um país de 558 anos de história tem muito mais do que a parte tenebrosa para contar.

“Temos uma língua própria que é o crioulo, bebida também no português, mas com influência de todas as etnias africanas que povoaram Cabo Verde. Cidade Velha teve mais de 20 congregações religiosas que, num espaço minúsculo, conseguiram conviver e expandir pela costa africana, assim como igrejas franciscanas e ordens das mais diversas latitudes”, destacou.

Sem esquecer as outras experiências que se viveu na Cidade Velha, o governante cabo-verdiano referiu-se, ainda, sobre a agricultura e os ensaios para a descoberta do novo mundo que se expunha nas américas, lembrando que o arquipélago aconteceu antes do Brasil.

Perante isso, relembrou aos presentes que na ilha de São Nicolau existem dois navios do Pedro Alves Cabral, afundados antes da descoberta do Brasil.

“É com este sentido de história e de memória que rubricamos, momentos atrás, a declaração dos ministros da Cultura consagrando a criação de uma bienal, de uma feira de livros e da necessidade de estarmos mais próximos através de uma actividade mais pragmática e que nos possa construir como comunidade”, realçou.

Para o presidente da Câmara Municipal da Praia, Óscar Santos, nesta semana em que o AME (Atlantic Music Expo) e o Kriol Jazz fazem um casamento perfeito em termos de cultura, a Cidade da Praia sente-se “orgulhosa, e tudo fará para honrar o compromisso de ser a capital de cultura da CPLP”.

A cultura, segundo o edil praiense, associado à morabeza cabo-verdiana “é importante” para a promoção do turismo, pelo que afirma esperar para poder, em parceria com o ministério, organizar uma agenda cultural que cumpre a designação “Capital Cultural da CPLP”.

Já o presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago, Manuel Pina, manifestou a sua satisfação de dividir com a Cidade da Praia a designação “Capital Cultural da CPLP”.

“O nosso orgulho é maior porque a cultural nasceu com a Cidade Velha e dividir esta distinção com a Cidade da Praia é regozijo demais. E para cumprir com este desígnio, vamos fazer a segunda recriação histórica do ataque do pirata Jacques Cassard que destruir a nossa cidade e que agora seta a erguer com apoio de todos”, afirmou.

As duas cidades têm uma forte presença na história e na cultura do país, sendo a Cidade Velha o berço da cabo-verdianidade e classificado Património da Humanidade em 2009.

A Cidade da Praia, por sua vez, herdou o titulo da capital do país após a decadência da primeira urbe histórica do arquipélago e hoje é o centro político, económico, tecnológico e de inovação.

Participaram na XI Reunião de Ministros da Cultura da CPLP delegações de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

Por: Inforpress