O indicador de confiança no consumidor cabo-verdiano voltou a cair no terceiro trimestre de 2022, numa tendência que acontece há 15 meses, segundo dados divulgados hoje pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE).
 

De acordo com o Inquérito de Conjuntura às Famílias realizado pelo INE, no terceiro trimestre do ano, o indicador de confiança no consumidor continuou a tendência descendente, confirmando a diminuição da confiança das famílias cabo-verdianas.

“O indicador de confiança no consumidor manteve a mesma tendência do último trimestre, situando-se ainda abaixo da média da série, realçando a diminuição da confiança das famílias cabo-verdianas. Nota-se ainda que o referido indicador evoluiu negativamente face ao trimestre homólogo”, lê-se no documento.

O INE acrescenta que este resultado é justificado “basicamente pela apreciação negativa das famílias sobre a sua situação financeira para os próximos 12 meses e a evolução da situação económica do país” no mesmo período, face ao trimestre homólogo.

“Na opinião dos inquiridos, os preços aumentaram, enquanto o desemprego diminuiu, relativamente ao período homólogo”, completou o INE.

Quanto à poupança, a maioria dos inquiridos (93,5%) considerou que a atual situação económica do país não permite poupar dinheiro.

No trimestre homólogo (entre julho e setembro de 2021) esse percentual foi de 86,2%, o que representa um aumento de 7,3 pontos percentuais, entre os dois períodos.

“De realçar que 2,1% dos inquiridos afirmaram ser possível poupar algum dinheiro com a atual situação económica do país, sendo que, no trimestre homólogo, era de 12,5%, apresentando um decréscimo de 10,4 pontos percentuais”, refere-se igualmente no estudo.

Para o futuro, os inquiridos responderam que para os próximos 12 meses tanto a situação financeira das famílias como a situação económica do país deverão evoluir negativamente.

“Para as famílias inquiridas, tanto o desemprego como os preços dos bens e serviços também deverão evoluir negativamente, face ao trimestre homólogo”, reforçou o INE.

Quando questionados se tencionam comprar um carro nos próximos dois anos, a esmagadora maioria dos inquiridos (94,1%) afirmou ter “certeza absoluta” que não tencionam fazer esse investimento.

“De referir ainda que uma fraca percentagem dos inquiridos (0,8%) afirmou que provavelmente sim, irá comprar um carro nos próximos dois anos, e 4,9% afirmaram que provavelmente não”, segundo o INE.

Relativamente à intenção de comprar ou construir uma casa, a maioria (84,1%) é de opinião de que não pretende realizar esse negócio, contra 60,7% registado no período homólogo.

“Nota-se que 5,9% dos inquiridos afirmaram que provavelmente sim, irão construir ou comprar uma casa, contra 19,5% no período homólogo, representando uma diminuição de 13,6 pontos percentuais”, conclui-se no estudo.

Cabo Verde enfrenta uma profunda crise económica e financeira, decorrente da forte quebra na procura turística – setor que garante 25% do PIB do arquipélago – desde março de 2020, devido à pandemia de covid-19.

Em 2020, registou uma recessão económica histórica, equivalente a 14,8% do PIB, seguindo-se um crescimento de 7% em 2021 impulsionado pela retoma da procura turística. Para 2022, devido às consequências económicas da guerra na Ucrânia, nomeadamente a escalada de preços, o Governo cabo-verdiano baixou em junho a previsão de crescimento de 6% para 4%, que, entretanto, voltou a rever, agora para mais de 8%.

Por: Lusa