Construção do terminal de cruzeiros em São Vicente avança em março

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O primeiro-ministro cabo-verdiano anunciou hoje que as obras de construção do terminal de cruzeiros de São Vicente arrancam em março, com a adjudicação da empreitada, uma das maiores obras públicas dos últimos anos no país.

“É algo que está em processo e vai ser concretizado”, afirmou Ulisses Correia e Silva, durante a inauguração da sede da Autoridade da Zona Económica Especial Marítima em São Vicente, um “projeto estruturante” para a ilha e cujo “conceito” está apoiado igualmente no terminal de cruzeiros.

“Em princípios de março estaremos a fazer o ato de adjudicação”, anunciou o governante, embora sem revelar o consórcio de empresas selecionado.

Segundo uma nota da Enapor, empresa estatal que gere os portos do país, a primeira fase do concurso público para esta empreitada terminou em agosto do ano passado com a pré-seleção de cinco grupos empreiteiros: Afcons Infrastructures (Índia), Conduril Engenharia (Portugal), consórcio Mota-Engil/Empreitel Figueiredo (Portugal/Cabo Verde), consórcio Sogea-Satom/Dumez Maroc (França/Marrocos) e Soletanche Bachy International (França).

O ministro da Economia Marítima cabo-verdiano, Paulo Veiga, disse no final de janeiro que já foi escolhida a empresa para construir o terminal de cruzeiros e que o contrato vai ser assinado em breve após aprovação dos financiadores.

“Brevemente vamos assinar o contrato da obra do terminal de cruzeiros”, perspetivou o governante, lembrando que Portugal é um dos países que presta apoio para o desenvolvimento das competências para a gestão do terminal de cruzeiros.

Questionado sobre o nome do consórcio vencedor, o ministro disse que prefere esperar pela manifestação dos financiadores para não criar expectativas.

O terminal de cruzeiros da ilha de São Vicente será um dos maiores investimentos públicos recentes no arquipélago, que deveria arrancar em 2019, mas sofreu sucessivos atrasos, devido à pandemia de covid-19.

Deverá receber anualmente 200.000 turistas de cruzeiro, prevê a construção de dois pontões para atracação de navios com mais de 400 metros de extensão e de uma vila turística.

A obra é cofinanciada pela Fundo Orio, dos Países Baixos, e pelo Fundo OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) para o Desenvolvimento Internacional, que têm de se pronunciar sobre esta fase do concurso.

Os trabalhos vão envolver a reivindicação de uma área de terra, denominada “Ponte Terrestre”, com 2.700 metros quadrados (m2), e a dragagem de aproximadamente 124.000 metros cúbicos na bacia portuária e no canal de acesso.

Entre outras características, o projeto prevê ainda a construção de um pontão de atracação de 400 metros de extensão com 11 metros de profundidade e outro de 450 metros com 9,5 metros de profundidade, além de um cais com uma largura de 12 metros, uma gare de passageiros, uma vila turística e uma zona imobiliária.

Prevê também a construção de um edifício de receção aos turistas com cerca de 900 m2, e instalações com 6.150 m2 para estacionamento de táxis e autocarros de apoio.

Oito portos de Cabo Verde receberam em 2020 mais de 18 mil turistas em navios de cruzeiro, número que a pandemia de covid-19 reduziu em 63,4% face a 2019.

De acordo com o relatório de tráfego anual elaborado pela Enapor, foram movimentados 40 navios de cruzeiro em todo o ano de 2020, metade dos quais – e 10.690 turistas – no Porto Grande, cidade do Mindelo, ilha de São Vicente, construído em 1962.

No total, oito portos de Cabo Verde receberam, essencialmente no primeiro trimestre de 2020 – tendo o país limitado o acesso no resto do ano devido à pandemia – 18.872 passageiros.

Cerca de 48.500 turistas em viagens de cruzeiro visitaram Cabo Verde em 2019, um novo recorde anual, com 149 navios de cruzeiro, segundo a Enapor.

Por: Lusa