Covid-19: Cabo Verde recebeu primeiros quase 400 turistas do grupo TUI em 12 meses

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Os primeiros quase 400 turistas em programas do grupo TUI, o maior operador turístico mundial, em praticamente um ano de pandemia de covid-19 chegaram domingo à ilha cabo-verdiana do Sal, segundo o Governo de Cabo Verde.

Em comunicado, o Ministério do Turismo e Transportes de Cabo Verde registou “com agrado e com muita satisfação” a retoma destas operações, por ser “um sinal demonstrativo da confiança dos turistas e do operador TUI” no arquipélago como destino internacional.

O voo do grupo TUI – com sede na Alemanha e que opera sete hotéis, ‘resorts’ e voos próprios para Cabo Verde – chegou no domingo à ilha do Sal, com 382 turistas provenientes da Polónia, “depois de aproximadamente 12 meses de suspensão de operações turísticas, devido à pandemia do novo coronavírus”.

“Traz um forte sentimento de esperança de que a retoma do turismo está a dar os seus primeiros passos, criando condições para o reinício da atividade de muitas empresas e o rearranque da economia, numa altura em que, concomitantemente, o país recebe o primeiro lote de vacinas da AstraZeneca que deverá permitir o início de imunização dos profissionais do turismo e da população em geral, cujo objetivo é vacinar 70% da população durante o ano 2021”, afirmou o ministério, na nota.

Uma informação disponibilizada no domingo pela empresa pública ASA, que gere os aeroportos cabo-verdianos, referiu que o voo desde a Polónia com destino ao Sal, realizado através do Tour Operator TUI Polónia, vai passar a acontecer aos domingos, até 03 de maio próximo.

A pandemia de covid-19 levou ao encerramento das ligações aéreas internacionais de Cabo Verde de 19 de março a 12 de outubro, mas a retoma turística ainda é lenta e sobretudo com alguma procura de turistas polacos e portugueses, desde dezembro.

“A covid-19 desferiu um duro golpe na economia cabo-verdiana, levando à paralisação do setor do turismo em 2020, tendo provocado uma quebra do número de chegadas de turistas em 75%, comparativamente a 2019”, reconheceu o Ministério do Turismo e Transportes.

“Os efeitos negativos não ficaram apenas pelo turismo, pois houve um aumento do desemprego generalizados, as receitas fiscais experimentaram uma quebra estrondosa e a quebra no PIB poderá ultrapassar os 10%”, acrescentou.

De acordo com informação prestada anteriormente à Lusa pelo diretor de comunicação do grupo TUI para os mercados internacionais, Evangelos Georgiou, há uma “demanda e as pessoas querem viajar em geral”, logo que esteja ultrapassada a atual fase da pandemia de covid-19.

“Para Cabo Verde, estamos a planear reiniciar no final de abril em alguns mercados de origem europeus”, explicou, apontando que a partir de França a retoma dos turistas para o arquipélago, através do grupo TUI, acontecerá “possivelmente antes”.

“E em alguns outros em meados de maio. Mas isso não depende do grupo TUI, mas sim dos regulamentos oficiais. Queremos estar prontos para reiniciar as nossas operações em qualquer destino onde e quando isso for viável”, sustentou Evangelos Georgiou.

Sublinhou, no entanto, que tudo ficará dependente dos regulamentos das autoridades de cada país, como a obrigatoriedade de testes de PCR ou quarentenas no regresso.

“Acreditamos que, uma vez vacinados os grupos de pessoas de alto risco, as restrições de viagem podem ser levantadas. Acreditamos que os testes de antigénio [mais rápidos e mais baratos do que os PCR] também sejam uma forma eficaz. No estado atual, no grupo TUI, a vacinação não é condição para viajar”, referiu.

O turismo garante 25% do Produto Interno Bruto (PIB) de Cabo Verde, após um recorde de 819 mil turistas em 2019, mas a atividade está praticamente parada há um ano, devido às restrições nas viagens, para conter a transmissão da pandemia de covid-19.

Segundo dados do Governo cabo-verdiano, através do grupo alemão, instalado no país desde 2015, chegam todos os anos a Cabo Verde cerca de 350.000 turistas, essencialmente para as ilhas do Sal e da Boa Vista.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.654.089 mortos no mundo, resultantes de mais de 119,7 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Por: Lusa