Covid-19: CEDEAO cancela todas as missões não críticas

A Comunidade de Países da África Ocidental (CEDEAO) anunciou hoje a suspensão das missões não críticas e de todos os encontros com participantes internacionais, como medidas de prevenção no contexto da pandemia Covid-19.

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organização regional, onde se inserem Cabo Verde e a Guiné-Bissau, seguindo orientações da Organização Oeste-Africana de Saúde (WAHO, na sigla em inglês), decidiu manter apenas as “missões de importância crítica”, adiantou, em comunicado, o presidente da Comissão da CEDEAO, Jean Claude Kassi Brou.

Por outro lado, acrescentou, outras missões anteriormente aprovadas deverão ser novamente submetidas para aprovação.

Uma missão de quatro chefes Estado à Guiné-Conacri, que deveria começar hoje, foi a primeira a ser adiada “sine die”.

Mandatada pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), a missão integrava os chefes de Estado da Costa do Marfim, Alassane Ouattara; da Nigéria, Muhammadu Buhari; do Gana, Nana AkufoAddo, e do NígerMahamadou Issoufou.

CEDEAO é também a organização regional mandatada pela comunidade internacional para mediar as sucessivas crises políticas na Guiné-Bissau.

Decidido foi também cancelar todos os encontros e reuniões em que estivesse prevista a presença de participantes que viajassem em voos internacionais e a CEDEAO “desencoraja” a realização de encontros locais com mais de 50 participantes.

A organização determina ainda que todos os encontros e reuniões devem respeitar as regras do distanciamento social de pelo menos 1,5 metros entre participantes, encorajando também o recurso à tecnologia.

Foram ainda definidas regras de quarentena, isolamento social e monitorização para os funcionários e membros da organização, em particular para os que estão ou estiveram recentemente em missão em alguns dos países fortemente afetados pela pandemia.

Reportando a números de segunda-feira, a CEDEAO dava conta da existência de 38 casos de infeção pelo coronavírus em seis dos seus 15 Estados-membros, apontando que apenas o Senegal tinha um foco local de transmissão.

No comunicado, a CEDEAO estima como efeitos económicos negativos da pandemia a quebra nas receitas provenientes do comércio de matérias-primas, pressões inflacionistas causadas pela escassez de abastecimento, nomeadamente de comida e medicamentos, redução do investimento e gastos não orçamentados em saúde.

“A CEDEAO tem de continuar a assegurar que os ganhos económicos na região não são revertidos”, adianta o comunicado, apontando as medidas tomadas como necessárias à propagação e mitigação das infeções pelo novo coronavírus.

Além dos lusófonos Cabo Verde e Guiné-Bissau, a CEDEAO integra também o BenimBurkina Faso, Costa do Marfim, Gâmbia, Gana, Guiné-Conacri, Libéria, Mali, Níger, Nigéria, Senegal, Serra Leoa e Togo.

coronavírus responsável pela pandemia da Covid-19 infetou mais de 180 mil pessoas, das quais mais de 7.000 morreram. Das pessoas infetadas em todo o mundo, mais de 75 mil recuperaram da doença.

O surto começou na China, em dezembro, e espalhou-se por mais de 145 países e territórios, o que levou a Organização Mundial da Saúde a declarar uma situação de pandemia.

O continente africano tem sido o menos afetado pela pandemia de coronavírus, registando atualmente 418 casos em 30 países.

Egito, com 150 casos, a África do Sul, com 62, e a Argélia, com 60, são os países mais afetados.

Em Portugal há 448 pessoas infetadas, segundo o mais recente boletim diário da Direção-Geral da Saúde, mais 117 do que na segunda-feira, dia em que se registou a primeira morte no país.

Por: Lusa