Covid-19: clínicas privadas em Cabo Verde mais que triplicam testes e maioria é para viagens

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A 6 de janeiro atingiu-se o recorde de casos Covid-19 com 4.196 pessoas infectadas. Cabo Verde contabiliza um total de 50.959 casos e 362 óbitos provocados pela doença desde o início da pandemia.

Cabo Verde está a bater todos os recordes de casos de Covid-19, mas também de testes realizados, e as clínicas privadas na Praia mais que triplicaram os pedidos de diagnóstico nos últimos dias, sobretudo por motivos de viagem.

Um dos sete laboratórios clínicos privados autorizados a realizar testes de despistagem para a Covid-19 na cidade da Praia é o Sanigo.CV, situado em Achada de Santo António, que começou a funcionar em março de 2021, num investimento de italianos em cerca de 90 mil euros.

“Estamos a ter muita, muita, muita procura de pessoas para fazer testes aqui”, avançou à agência Lusa José Gomes Sanches, indicando que o principal motivo é para viagens, por ser uma época em que muitos cabo-verdianos regressaram para férias no arquipélago e precisam do teste, tanto PCR ou antigénio, para retornar ao país de residência atual.

O técnico que começou a trabalhar na clínica em finais de 2021, precisamente quando o país já registava um aumento nunca antes visto de casos de Covid-19, e também de testes realizados diariamente.

Depois de um período estável, Cabo Verde começou a registar um aumento de casos de Covid-19 nas vésperas do Natal, pela primeira vez com números acima dos mil infetados, sendo o recorde de 1.469 contabilizado na sexta-feira.

O país passou também a fazer mais testes de despistagem, e o valor mais elevado até agora foram 4.196 em 6 de janeiro, altura em que a variante Ómicron já está a circular no país.

Pelos dados compilados pela Lusa, entre 1 e 26 de dezembro, os laboratórios, públicos e privados, realizaram um total de 15.331 testes, nos restantes cinco dias do mês analisaram 11.321 amostras, e entre 1 e 9 de janeiro foram efetuados 22.896 testes em todo o país.

Se antes a Sanigo.CV fazia entre 10 e 20 testes por dia, e quase todos negativos, neste momento, segundo José Gomes Sanches, a procura aumentou significativamente, para entre 50 e 60 análises por dia, e mostrou-se “muito preocupado” pela percentagem de positivos.

“O nosso desejo, e de toda a sociedade, é eliminar esta doença. Pode ser um ganho para a clínica, mas neste momento ninguém deseja ter ganho com esta doença”, perspetivou o técnico do laboratório privado, que tal como os outros recebe 1.500 escudos (13 euros) por cada teste antigénio.

Ainda em Achada de Santo António, o bairro mais populoso da Praia, também se registou um aumento de pedidos para realização de testes no Laboratório de Análises Clínicas (LAC), conforme a diretora técnica, Maria Filomena Tavares.

“Nos finais de 2021 e nos primeiros dias de janeiro de 2022 tivemos um aumento de pedidos, os números dispararam, algo que nunca tinha acontecido em todo o período da pandemia”, notou a médica, avançando que há dias em que já foram feitos mais de 300 testes, e a média dos últimos dias ronda dos 160 a 170 testes, quando anteriormente não ultrapassa os 50 diários.

“Nesta altura está complicado mesmo. Há alturas em que saímos daqui às 10 da noite”, afirmou a profissional de saúde, justificando as “horas extras” com a espera das respostas pelos testes PCR, cujas amostras são enviadas para o Inpharma, o laboratório de referência na capital.

Do total de testes realizados neste período, desde PCR, antigénio e rápidos, Maria Filomena Tavares disse que há dias em que a percentagem de positivos ultrapassa os 30%.

E para poder dar respostas a tanta demanda, avançou que o LAC teve que contratar mais técnicos para recolha de amostras e abriu um centro num outro espaço só para a recolha de amostras para os testes PCR.

Quem já fez um teste de despistagem para a Covid-19 no LAC foi Yanike De Ceita, são-tomense residente em Cabo Verde, que foi tirar as dúvidas após a mulher ter testado positivo, mas que acusou negativo.

“O teste é importante nesta fase que estamos a passar”, considerou Yanike De Ceita, referindo-se ao facto de a variante Ómicron já estar a circular no país. “É bom sempre fazer o teste para ver se temos ou não. E se não tivermos, é continuar a evitar o máximo possível”.

Yanike contou à Lusa que só procurou a clínica por causa da demora num centro de saúde público, e o atendimento, avaliou, não poderia ser melhor no privado, tento esperado cerca de uma hora para ser atendido, mesmo com muitas pessoas na fila à procura do mesmo serviço.

“Dou nota 10 ao atendimento. Sabem cativar as pessoas, sabem colocar as coisas no devido lugar e, graças a Deus, tudo correu bem”, notou o cidadão, mostrando-se, entretanto, apreensivo com o aumento exponencial de casos de Covid-19 não só em Cabo Verde, mas em todo o mundo.

Por isso, disse que cada um deve “fazer a sua parte”, desde o cidadão, no cumprimento das medidas, mas também o Governo e as autoridades de saúde, para alertarem ainda mais a população sobre a importância do respeito das regras.

Cabo Verde contabiliza um total de 50.959 casos e 362 óbitos provocados pela doença desde o início da pandemia.

A Covid-19 provocou 5.486.519 mortes em todo o mundo desde o início da pandemia, segundo o mais recente balanço da agência France-Presse.

 

A doença respiratória é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detetado no final de 2019 em Wuhan, cidade do centro da China.

A variante Ómicron, considerada preocupante e muito contagiosa pela Organização Mundial da Saúde (OMS), foi detetada na África Austral, mas desde que as autoridades sanitárias sul-africanas deram o alerta, em novembro, foram notificadas infeções em pelo menos 110 países.