Inicio Internacional Sociedade Covid-19. Meta da vacinação mundial de 70% longe de estar cumprida

Covid-19. Meta da vacinação mundial de 70% longe de estar cumprida

77

Apenas uma em cada sete pessoas nos países mais desfavorecidos tem o plano de vacinação completo. Os números mais recentes da publicação Our World in Data que deixam patentes enormes desigualdades nas taxas de vacinação em todo o mundo. Os países mais pobres são empurrados para o “fundo da fila”, alertam organizações ativistas contra a pobreza.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou esta semana que as infeções por covid-19 na Europa triplicaram, as hospitalizações subiram para o dobro no último mês e meio e registaram-se três mil mortes por semana.

Em resposta a tal notícia, a publicação científica Our World in Data (O Nosso Mundo em Dados) atualizou os números sobre a taxa de vacinação global anti-covid, que revelaram grandes desigualdades entre os países de alto e baixo rendimento: apenas uma em cada sete pessoas dos países pobres é totalmente vacinada.

De acordo com Our World in Data, a 10 de julho, apenas 15,8 por cento das pessoas em países pobres estavam totalmente vacinadas, em comparação com 55 por cento em países de rendimento médio-baixo, 73,5 em países ricos e 78,7 em países muito alto rendimento.

A meta internacional de vacinar 70 por cento da população mundial contra a covid-19 até meados de 2022 não foi atingida porque os países mais pobres foram atirados para “o fundo da fila” quando as vacinas foram lançadas, argumentam organizações que lutam contra a desigualdade.


Fim da fila
No final de 2020, ao chegarem as primeiras vacinas ao mercado, os países desenvolvidos compraram a maior parte. Os países pobres tiveram que esperar meses para começar a receber as primeiras doses através do sistema de partilha Covax, mas foram insuficientes para a procura.

Maaza Seyoum, coordenadora do Sul Global da Aliança Popular de Vacinas afirma no jornal britânico The Guardian que “os países mais pobres do mundo acabaram no final da fila, criando a sensação de que algumas vidas importam mais do que outras”.

Acrescentou que “a pandemia e os problemas económicos que vieram com ela – alguns dos dados que vimos demonstram que mais 100 milhões de pessoas foram empurradas para a pobreza como resultado dos confinamentos – dificultaram a vacinação porque não é fácil pedir às pessoas nesse ambiente para tirar uma enorme quantidade de tempo de trabalho para ficar na fila para tomar uma dose”.

“A menos que alcancemos uma ação equitativa para enfrentar esta pandemia, ela permanecerá connosco para sempre“, sublinhou Kavengo Matundu, coordenador para África da organização Chamada Global para Ação Contra a Pobreza (GCAP – Global Call to Action Against Poverty).
 

Matundu, que trabalha com grupos de linha de frente na resposta à doença no continente africano, alerta que o vírus já “mostrou que é capaz de se transformar em qualquer coisa e pode se tornar algo mais perigoso que o original”.

No mundo, o continente africano tem o menor número de pessoas vacinadas. Excluindo a Eritreia e a Coreia do Norte, que ainda não iniciaram os programas de vacinação, sete dos dez países com as taxas mais baixas de vacinação completa do mundo estão em África. Os outros três países são Papua Nova Guiné, Haiti e Iémen.

Os dados mais recentes do Duke Global Health Innovation Center, que cobrem o período até 9 de junho, revelam que Canadá, Austrália e Reino Unido compraram doses de vacina suficientes para vacinar as populações várias vezes: 11,1 – 9,9 – 7,6 doses por pessoa, respectivamente.

Seyoum remata: “Os países ricos continuam a pensar que, se apenas se protegerem a eles próprios, sairão da pandemia, mas isso é completamente ridículo. Parece banal, mas como o chefe da OMS disse no ano passado: nenhum de nós está seguro até que estejamos todos seguros”.

Por: RTP