CPLP: É “dia de festa” pela viabilização da morna como Património Imaterial

O secretário executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) disse que ontem é "dia de festa" também para esta organização pelo parecer favorável à classificação da morna cabo-verdiana como Património Imaterial da Humanidade pela UNESCO.

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“Este é um dia de festa, em primeiro lugar para Cabo Verde e para todos os cabo-verdianos, mas também para a CPLP, porque é um dos seus países que vê consagrada a morna”, numa indicação positiva prévia da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), afirmou à Lusa o embaixador Francisco Ribeiro Telles.

Um processo que, segundo o diplomata, contou também com o “empenho” da CPLP e de todos os seus estados-membros.

“Desde o momento que Cabo Verde decidiu candidatar a morna a património mundial da humanidade, claro que todos os países da CPLP se empenharam nesse sentido. E junto da UNESCO, através das suas representações permanentes, todos fizemos força para que a morna fosse considerada património imaterial da humanidade”, salientou Ribeiro Telles.

Para o embaixador, “se há áreas em que a CPLP tem funcionado muito bem é precisamente na área da concertação política e diplomática”, e que tem a ver não só com a candidatura de cidadãos dos seus estados-membros a organismos internacionais, como também “com candidaturas da morna, ou de expressões artísticas a património da humanidade”.

“Por isso, estou satisfeito e regozijo-me muito com isso”, rematou.

Para o responsável a “morna é uma das matrizes identitárias mais fortes de Cabo Verde e tem desempenhado um papel muito relevante na afirmação da própria identidade nacional”,

E “Cabo Verde está de parabéns e deve estar orgulhoso”, porque a classificação da UNESCO, que ainda terá de ser ratificada em dezembro, na Colômbia, “é o reconhecimento de uma expressão musical, que já é bastante famosa no panorama artístico mundial”, frisou.

Depois desta classificação ser ratificada, a morna terá um papel “fundamental” em programas de atividades futuras da CPLP.

“Cabo Verde é o país que tem agora a presidência [rotativa] da CPLP e haverá, com certeza, no dia cinco de maio, Dia da Língua Portuguesa, a expressão disto”, disse.

O secretário executivo adiantou que a organização já está “a programar, e Cabo Verde também está a programar, uma série de atividades à volta do dia mundial da língua portuguesa, no qual a morna será uma componente fundamental”.

Iniciativas que, segundo Ribeiro Telles, têm a ver também com as atividades que vão ser desenvolvidas na própria UNESCO.

O ministro da Cultura de Cabo Verde, Abraão Vicente, anunciou a aprovação do género musical morna como Património Imaterial da Humanidade pela UNESCO, mas a decisão só será ratificada em dezembro.

“Caros cabo-verdianos, tenho a sorte, a honra e o privilégio de vos comunicar que hoje o comité técnico dos peritos da UNESCO aprovou o dossiê da morna a Património da Humanidade”, revelou Abraão Vicente, na noite de quinta-feira, na sua página pessoal no Facebook.

Na mensagem nesta rede social, o ministro adiantou que “a decisão será ratificada em dezembro“, na Colômbia, “mas a nação já pode celebrar: a morna já é Património da Humanidade”.

O Presidente cabo-verdiano afirmou hoje que o anúncio do parecer favorável para classificação da morna como Património Imaterial da Humanidade pela UNESCO representa um “dia de festa” e demonstra que, como dizia o poeta, “Cabo Verde é uma música”.

Na cidade da Praia, o chefe de Estado, Jorge Carlos Fonseca, afirmou que “onde haja um cabo-verdiano“, no país ou na diáspora, “hoje está satisfeito”.

Para Jorge Carlos Fonseca, este passo, que deixa a classificação da morna mais perto, é também, “num certo sentido”, um “fator de unidade e de coesão” para Cabo Verde.

Cabo Verde apresentou em março do ano passado a candidatura da morna a Património Imaterial da Humanidade, cuja decisão pública deverá ser conhecida entre 09 e 14 de dezembro, em Bogotá, Colômbia, durante a reunião do Comité do Património Cultural Imaterial da UNESCO.

dossiê cabo-verdiano contou com colaboração do antropólogo Paulo Lima, especialista português na elaboração de processos de candidatura a Património Imaterial da Humanidade da UNESCO, como o fado, o cante alentejano e a arte chocalheira.

Por: Lusa