Dados da PN apontam para redução de 57% das ocorrências criminais em Cabo Verde nos últimos cinco anos

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Dados da Polícia Nacional (PN) apontam para uma redução na ordem de 57% das ocorrências criminais em Cabo Verde, nos últimos cinco anos, mas indicam aumento da criminalidade nas ilhas do Maio, Santo Antão e Fogo.

As estatísticas da PN foram apresentadas hoje pelo director nacional da PN, Emanuel Moreno, na abertura da reunião XV do Conselho de Comandos da PN, a decorrer na cidade da Praia, para balanço das activividades do ano transacto e aprovação do plano de actividades do ano corrente, e o plano operacional para as próximas eleições.

De acordo com aquele responsável, pelo quinto ano consecutivo denota-se a diminuição de ocorrências criminais em Cabo Verde num total acumulado de menos 11.915 casos correspondentes a 57 por cento (%) das ocorrências a nível nacional.

“Foram registados menos 854 casos em 2016 (-3,31%), menos 2.683 em 2017 (-0,74%), menos 4.127 em 2018 (-18,525), menos 3.165 em 2019 (-17,43%) e menos 1.086 em 2020 (7,24%)”, precisou Emanuel Moreno, adiantando que consolida assim o decréscimo de ocorrências criminais em Cabo Verde cujo objectivo inicial era de redução até ao final desta legislativa, em 40%.

No que se refere aos dados do último ano adiantou que apesar de 2020 ter sido um ano atípico devido à pandemia de covid-19, que aumentaram as limitações, constrangimentos e dificuldades, a PN conseguiu materializar o seu plano de actividades com resultados positivos em vários sectores.

Conforme detalhou, foram realizadas um total de 167.201 operações policiais que resultaram na detenção de 4.310 pessoas detidas, mais 373 do que no ano de 2019, e 22.915 pessoas foram conduzidas às esquadras para efeito de identificação.

Igualmente indicou que a PN apreendeu 401 armas de fogo de fabrico artesanal denominada “boca bedjo”, mais de 129 do que em 2019, 236 armas de fogo convencional, mais oito que no ano anterior, 8.724 armas brancas e 8.724 munições, superior em 3.478 em relação à apreensão de 2019.

“Em matéria de enfrentamento da criminalidade, de notar que no cômputo geral o número de ocorrências registado a nível nacional foi de 13.911, com uma redução de 7,24% face ao anterior, ou seja menos 1.086 do que em 2019”, precisou adiantando que o total dos crimes 50,3% representam crimes contra pessoas e 49,7% contra património.

O director nacional da PN assinalou, entretanto, com alguma preocupação, o aumento dos crimes em três ilhas, designadamente Maio, Santo Antão e Fogo, onde afirma que há necessidade de reforçar as acções para pôr cobro a estas situações.

“Tivemos aumentos de crimes em oito concelhos, quais sejam Maio com 59 casos, São Miguel com mais 50 ocorrências, São Filipe com mais 44 casos, Porto Novo com mais 33, Ribeira Grande com mais 23 ocorrências, Paul com mais 13, Santa Catarina do Fogo com mais 11, São Lourenço dos Órgãos com mais seis casos e São Salvador do Mundo com mais três ocorrências”, precisou.

Em sentido contrário estiveram 14 municípios, com destaque para Praia com menos 292 casos, Boa Vista com menos 197 casos, São Vicente com menos 149 e Sal com menos 130 casos.

O ministro da Administração Interna, que presidiu à abertura da reunião, disse que os dados mostram que a PN tem conseguido enfrentar o desafio de conter o crescimento acelerado da criminalidade no país e conduzir um processo sustentável de redução, mas declarou que o Governo ainda não está satisfeito.  

“A nossa perspectiva é sempre de melhoria. Impedir, antecipar as ocorrências criminais lá onde for possível, e lá onde não conseguirmos prevenir reagir com rapidez, eficiência e eficácia e conseguir descobrir rapidamente os autores. Também nessa perspectiva reactiva a PN também tem tido um grande desempenho. Agora com a criação da Direção Central da Investigação Criminal pensamos ainda melhorar nesse campo de reacção policial e de investigação”, disse o governante. 

No que se refere ao esclarecimento dos casos, os dados hoje apresentados indicam que dos 13.911 casos registados em 2020, um total de 10.665 foram esclarecidos, o equivalente em termos relativos a 76,67%.

Por: Inforpress