Desigualdade parou de cair no Brasil depois de 15 anos

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A desigualdade de rendimento no Brasil parou de cair em 2017, após 15 anos consecutivos de recuos, o que coloca o país como o nono mais desigual do mundo, revelou hoje um relatório da organização não-governamental (ONG) Oxfam.

O levantamento, intitulado “País estagnado, um retrato das desigualdades brasileiras” e que leva em conta dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o índice de Gini – instrumento matemático utilizado para medir a desigualdade social-, indicou que, no ano passado, o rendimento médio dos 40% mais pobres face à renda média total da população brasileira foi desfavorável para a base da pirâmide.
 

“A metade mais pobre da população [do Brasil] teve uma retração de 1,6% dos seus rendimentos entre 2016 e 2017. Os 10% mais ricos tiveram crescimento de 2% nos seus rendimentos entre 2016 e 2017”, apontou o relatório.

Com isso, o Brasil subiu um degrau no ranking mundial de desigualdade de rendimento, passando a ser o 9.º país mais desigual do mundo, num conjunto de 189 países.

Segundo o levantamento, o número de pobres no Brasil cresceu 11% em um ano, atingindo 15 milhões de pessoas em 2017, ou seja, cerca de 7,2% da população.

A ONG também calculou que o rendimento médio do 1% dos mais ricos do país é 72 vezes maior do que o dos 50% mais pobres.

Separando dados sobre as características da desigualdade no Brasil, o estudo indicou que pela primeira vez em 23 anos o rendimento médio das mulheres caiu em relação ao dos homens, passando de uma proporção de 72% para 70%.

A diferença salarial entre negros e brancos também aumentou. Em 2016, os negros ganhavam 57% a menos do que os brancos. No ano passado, esta diferença passou a ser de 53% dos rendimentos médios.

“Desigualdades raciais são visíveis dentro de estratos específicos de renda. A média geral da renda da metade mais pobre da população era 749 reais [169 euros] em 2016, sendo que brancos pobres ganhavam em média 882 reais [199 euros] e negros pobres 634 reais [143 euros]”, lê-se no relatório.

“Em 2017, a média geral para esse grupo era de 804 reais [181 euros], de modo que brancos da metade mais pobre ganhavam 965 reais [218 euros] enquanto negros dessa faixa recebiam 658 reais [148 euros]. Nesse período, negros pobres ficaram ainda mais pobres, com redução de cerca de 2,5% de renda, enquanto brancos seguiram na direção oposta, com incremento de quase 3% de renda”, acrescentou a análise.

Na parte final, o estudo diz que “o Brasil vinha conseguindo retirar milhões de pessoas da pobreza e avançar na redução de desigualdades”, mas, resssalva, “essa caminhada estagnou”.

“Estamos num momento onde ou retomamos a via de redução das desigualdades ou aprofundamos a separação de brasileiros e brasileiras entre cidadãos e cidadãs de primeira e segunda categoria. Há um longo caminho a ser percorrido para que o país proporcione uma real mobilidade social à sua população”, concluiu a Oxfam.

Por: Lusa