Dino D’Santiago venceu três prémios Play em cerimónia com alertas à crise na Cultura

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O cantor Dino D’Santiago foi o mais premiado na 3.ª edição dos Prémios da Música Portuguesa, entregues na quinta-feira, em Lisboa, numa cerimónia onde foram deixados vários alertas.

O cantor Dino D’Santiago foi o mais premiado na 3.ª edição dos Play — Prémios da Música Portuguesa, entregues na quinta-feira, em Lisboa, numa cerimónia onde foram deixados vários alertas sobre a crise que a Cultura atravessa.

A 3.ª edição dos Play foi para Dino D’Santiago uma espécie de repetição da 1.ª, que aconteceu em 2019. Na quinta-feira à noite, tal como há dois anos, o cantor subiu três vezes ao palco do Coliseu dos Recreios para receber os prémios de Melhor Artista Masculino (em 2019 era de Melhor Artista Solo, sem distinção de género), Melhor Álbum, desta vez com “Kriola”, e Prémio da Crítica, este último atribuído por um grupo de dez jornalistas.

Dino D’Santiago dedicou o prémio de Melhor Álbum — atribuído a “Kriola”, um disco “que tem uma carga muito emotiva” e “um ‘statement’ [afirmação, em português]” que o cantor quer “levar para a vida: branco com preto geração de ouro” — a Bruno Candé, ator que foi assassinado em julho do ano passado em Moscavide, vítima de um crime de ódio racial.

“Este vai direto para a família do Candé, vai para os três putos. Eu prometi e vai direto para lá”, afirmou Dino D’Santiago.

A noite no Coliseu de Lisboa foi de celebração da música portuguesa, mas também de lembretes sobre a situação difícil que atravessam os profissionais do setor da Cultura.

A vocalista dos Clã, distinguidos com o prémio de Melhor Grupo, Manuela Azevedo, partilhou esperar que “esta festa não seja só uma festa, mas também um lembrete a quem governa que é muito importante defender a Cultura, defender quem faz a Cultura, os seus trabalhadores, proteger os seus direitos e garantir que a Cultura portuguesa se mantém viva e com saúde”.

A ‘rapper’ Capicua, que venceu na categoria de Melhor Artista Feminina, lembrou que “ser mulher e artista é um desporto de combate, sobretudo nos últimos meses”.

“É um ato de resistência continuar a fazer música neste país e sobretudo nestas circunstâncias”, afirmou ao receber o prémio.

A dada altura, a apresentadora da cerimónia, Filomena Cautela, salientou que “sem regras claras é difícil programar espetáculos que permitam a milhares de pessoas trabalhar” e alertou que para muitos este “é mais um verão sem trabalho” e “sem apoios são muitos os que vão ficar pelo caminho”.

A apresentadora recordou que embora os artistas sejam “o rosto e a face da Cultura”, “todos os que permitem que a Arte e a Cultura aconteçam merecem o mesmo destaque”.

Filomena Cautela mostrou aos espectadores o que teria acontecido no Coliseu sem o trabalho de técnicos de áudio, de operadores de câmara (a cerimónia foi transmitida em direto na RTP1) ou de técnicos de luz: “todos são absolutamente essenciais, reiteramos que ninguém pode ficar para trás”.

No fundo do palco do Coliseu surgiu o logo da União Audiovisual (UA), grupo de ajuda alimentar aos profissionais da Cultura que surgiu em abril do ano passado, e Filomena Cautela contou que “foi a UA que se lembrou de quem precisava de apoio”.

“Mais de um ano depois eles continuam incansáveis. Para saber como ajudar é só passar no site da UA. Já ajudaram mais de 300 famílias, mil pessoas por mês. Toda a ajuda conta, se o puderem fazer façam-no. Agora”, afirmou a apresentadora ao lado de vários voluntários da UA, que entretanto ‘ocuparam’ o palco do Coliseu.

Na cerimónia foram ainda atribuídos os prémios de Melhor Videoclipe (“Assobia Para O Lado, de Carlão, realizado por Fernando Mamede), Melhor Álbum Jazz (“Dianho”, de André Fernandes), Melhor Álbum Música Clássica/Erudita (“Duarte Lobo: Masses, Responsories & Motets”, dos Cupertinos), Artista Revelação (Cláudia Pascoal), Prémio Lusofonia (“É tudo pra ontem”, de Emicida com a participação de Gilberto Gil), Melhor Álbum de Fado (“Do Coração” , de Sara Correia) e Vodafone Canção do Ano (“Louco”, de Piruka feat. Bluay).

Por atribuir ficou o Prémio Carreira. Contactada pela Lusa, a organização explicou que foi contactado um artista para receber esta distinção, mas que este não quis deslocar-se à gala para receber o prémio em mãos. De acordo com o regulamento, “o prémio não sendo entregue não permite substituição”.

Ao longo da cerimónia houve várias atuações ao vivo, que incluíram colaborações inéditas.

Carolina Deslandes apresentou-se em palco ao lado de 11 cantoras: Bárbara Tinoco, Cláudia Pascoal, Irma, Sara Correia, Carolina Leite, Diana Castro, Inês Pires, Joana Duarte, Madalena Guedes, Rita Rocha e Rosa Antunes.

Os Quatro e Meia e Bárbara Tinoco apresentaram-se em dueto, assim como Capicua e Mallu Magalhães e Bispo e João Pedro Pais.

Além disso, Buba Espinho, Cuca Roseta e Sara Correia juntaram-se numa homenagem a Carlos do Carmo, que morreu em 01 de janeiro deste ano, tendo com eles em palco três dos guitarristas que acompanharam o fadista ao longo da carreira: José Manuel Neto, Marino de Freitas e Carlos Manuel Proença.

A cerimónia de entrega dos Play encerrou com a atuação dos HMB, que garantiram várias vezes que “a Cultura é segura”, num apelo a que o público vá ver espetáculos.

Os Play — Prémios da Música Portuguesa são promovidos pela Audiogest e pela GDA — Gestão dos Direitos dos Artistas, em parceria com a RTP e a Vodafone.

Por: Lusa