Direcção do HBS diz que jovem parturiente tinha quadro clínico “muito raro” e “sintomas inespecíficos”

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O Hospital Baptista de Sousa (HBS) garantiu ontem que tudo fez, junto com a Delegacia de Saúde, para evitar a morte da jovem parturiente, mas que o seu quadro clínico era “muito raro” e  com “sintomas inespecíficos.”

Em reacção à morte da jovem grávida Sílvia Santos, na sexta-feira, 23, e do seu bebé dias antes, a direcção clínica do HBS, através de um comunicado enviado à Inforpress, assinado também pelo delegado de Saúde na ilha, explica que a paciente era uma primigesta que, a exemplo de qualquer grávida, vinha sendo acompanhada no serviço pré-natal.

A direcção do hospital adiantou na nota que durante esse período a paciente foi sujeita a todos os exames a que o sistema obriga, e que “constam do protocolo estabelecido” pelo Sistema Nacional de Saúde, “não se tendo, em momento algum” constatado, “seja pela observação directa, seja pelos exames, qualquer alteração que justificasse” a realização de “exames extra-protocolares”.

“No dia 07 de Agosto ela apresentou-se no Banco de Urgência de Adultos queixando-se de vómitos e de diarreia e sem qualquer outro sintoma à observação. Observada e sujeita a soro fisiológico para hidratação, por algumas horas, mostrou significativa melhoria, tendo sido colocada a hipótese de se tratar de sintomas de uma gastroenterite aguda, situação comum nessa altura do ano. Em face dessa melhoria visível, ela teve alta,” lê-se no comunicado.

No entanto, explicou ainda a direcção do HBS, a paciente apresentou-se no Centro de Saúde Reprodutiva da Bela Vista (PMI- PF) numa consulta de rotina no passado dia 19 de Agosto, com trinta e seis semanas de gestação, queixando-se, de novo, de vómitos.

A mesma fonte refere que, nesse dia, foi observado na paciente um “aumento significativo” dos edemas, mas ainda “ sem alteração da tensão arterial”.

Pelo que se fez “de imediato um teste rápido” à urina para “descartar a existência de proteína alta na mesma” e que “resultou negativo.”

Por precaução, e com vista ao esclarecimento do diagnóstico, avançou ainda o HBS, não foram requisitados exames para avaliação da função renal e hepática.

“Importa esclarecer que, ao contrário do que se vem dizendo, a cor verde não era da urina, mas sim da fita utilizada para realização do teste rápido referido,” clarificou a mesma fonte, realçando que a paciente voltou ao Banco de Urgência na tarde do dia 20 de Agosto “com queixas de sangramento, de pequena quantidade, mas sem vómitos”.

Segundo o hospital foram solicitados exames de urgência que revelaram “alteração hepática e renal grave”.

No entanto, a direcção do hospital ressalvou que os quadros hepáticos durante a gravidez “são muito raros e extremamente graves”, impondo-se “a interrupção imediata
da gravidez”, o que foi feito, concretizou a mesma fonte, “uma hora depois”, mas retiraram o “feto morto.”

Conforme o hospital, no pós-operatório, a paciente foi encaminhada para a unidade de cuidados especiais “com acompanhamento multidisciplinar”, tendo “evoluído para uma falência multiorgânica” que “resultou na sua morte, no passado dia 23.”

A direcção do HBS assegurou que o quadro clínico dessa paciente era ”muito raro, com sintomas inespecíficos”, porque os sintomas específicos “só aparecem quando a doença está numa fase muito avançada”.

Informa ainda que casos dessa doença só aparecem “um em cada dez mil casos de gravidez” e com  “a mortalidade materno-infantil elevada, mesmo nos países mais evoluídos.”

Por: Inforpress