O Produto Interno Bruto (PIB) deverá ter crescido cerca de 9% em termos homólogos, devido ao efeito base, e entre 0,1% e 0,8% em cadeia, no primeiro trimestre deste ano, segundo os economistas consultados pela Lusa.

O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulga esta sexta-feira a primeira estimativa rápida sobre a evolução do PIB no primeiro trimestre do ano, depois de no mesmo período do ano passado ter registado uma contração de 5,3% em termos homólogos e de 2,9% em cadeia.

Paula Carvalho, economista-chefe do BPI, disse, em declarações à Lusa, que a instituição bancária prevê um crescimento homólogo de 9,1% no primeiro trimestre e de 0,1% em cadeia.

“Pela positiva, na comparação homóloga, o período de confinamento mais restrito no primeiro trimestre de 2021 influencia favoravelmente e justifica taxas de variação que se aproximam dos dois dígitos”, justifica.

Já quanto à evolução trimestral, refere que, embora reconheçam “riscos de que possa ser mais elevada”, deverá ter “pesado favoravelmente o consumo privado, cujos indicadores parcelares se mantiveram globalmente favoráveis apesar de alguma perda de fulgor no final do trimestre, pós-invasão da Ucrânia” e “também as exportações, quer de bens quer de serviços (com destaque para turismo nos dois primeiros meses do ano)”, que “têm revelado comportamento bastante positivo”.

Também Pedro Brinca, professor da Nova SBE, estima uma expansão homóloga do PIB de cerca de 9% e em cadeia “perto de 0,8%”.

“Um dos fatores mais decisivos para um crescimento homólogo de perto de 10% tem a ver com o efeito base”, argumenta, apontando o contraste entre o que foi o primeiro trimestre do ano passado, com um pico pandémico que levou a regras de confinamento que levaram a constrangimento na atividade económica e os primeiros três meses deste ano.

O economista explica que o conflito na Ucrânia e a escalada dos preços deverá ter contribuído para uma revisão ligeiramente em baixa das previsões homólogas anteriores.

Já os economistas do Banco Montepio estimam “um crescimento em cadeia do PIB no primeiro trimestre de 0,7% (+9,8% em termos homólogos), em novo abrandamento (+1,7% no quarto trimestre de 2021)”.

Os economistas justificam com abrandamentos do consumo privado, nomeadamente condicionado pela aceleração da inflação, e da Formação Bruta de Capital Fixo (investimento), e um menor contributo das exportações líquidas para o crescimento da economia, sendo de realçar a continuação da recuperação das exportações de serviços de turismo.

“A incerteza em relação às estimativas é superior ao habitual, atendendo à forte subida dos preços observada no trimestre, impactando nas estimativas dos deflatores”, realçam.

O Banco Montepio, em meados de março, cortou as perspetivas para a economia portuguesa ao longo do ano, refletindo o atual conflito militar no Leste da Europa, apontando-se atualmente para uma expansão de cerca de 4,9% em 2022, “abaixo dos 5,5% defendidos antes da guerra os riscos continuam a apresentar-se descendentes.”

Entre as principais instituições, o Banco de Portugal, no Boletim Económico de março, incorpora um crescimento em cadeia do PIB de 0,1% no primeiro trimestre de 2022.

Já o ISEG estima que o PIB tenha crescido entre 9,6% e 10%, em termos homólogos, no primeiro trimestre deste ano, devido ao consumo privado e à procura turística externa, mas refletindo sobretudo o efeito base, segundo a síntese de conjuntura de abril.

Já em cadeia os economistas da instituição esperam que o PIB avance 0,5% e 0,9%.

Por sua vez, o Fórum para a Competitividade estima que a economia cresceu entre 9% e 10,5%, em termos homólogos, e 0% e 1,5%, em cadeia, segundo a nota de conjuntura divulgada em 04 de abril.

Já a Católica Lisbon Forecasting Lab (NECEP) prevê, segundo a nota conhecida em 06 de abril, uma expansão do PIB de 9,3% em termos homólogos e de 0,2% em cadeia.

Por: Lusa