EUA dão 100 mil dólares a Cabo Verde para combater insegurança alimentar

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Os Estados Unidos anunciaram hoje que vão dar 100 mil dólares em assistência humanitária imediata a Cabo Verde para combater a insegurança alimentar que se generalizou no seguimento da invasão da Ucrânia pela Rússia.

“Os Estados Unidos, através da Agência para o Desenvolvimento Internacional (USAID), vai dar um montante inicial de 100 mil dólares em assistência humanitária imediata a Cabo Verde em resposta à insegurança alimentar generalizada que resulta dos efeitos de anos de seca, da pandemia de covid-19, aumento da inflação e constrangimentos na oferta devido à guerra da Rússia contra a Ucrânia”, lê-se num comunicado enviado à Lusa.

No texto, os EUA dizem que “mais de 46 mil pessoas, representando cerca de 10% da população de Cabo Verde, estão a enfrentar insegurança alimentar entre junho e agosto de 2022, mais do dobro do número de pessoas afetadas durante a estação alta em 2018”.

A entrega dos 100 mil dólares, cerca de 97.600 euros, será feita através da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (IFRC), para darem “assistência alimentar imediata às comunidades mais vulneráveis afetadas pela aguda insegurança alimentar em Cabo Verde”.

Desde 2017 que o país tem enfrentado sucessivos anos de seca, com consequente redução da produção agropecuária e do rendimento das famílias, especialmente no meio rural, contribuindo também para a deterioração da segurança alimentar e nutricional das famílias e para a redução da disponibilidade da água para o abastecimento público e para a agricultura irrigada.

Durante uma recente reunião restrita do dispositivo regional de prevenção e gestão das crises alimentares no Sahel e na África Ocidental, o ministro da Agricultura e Ambiente, Gilberto Silva, avançou que dados recentes estimaram que cerca de 107 mil pessoas se encontravam sob pressão em termos alimentares e cerca de 30 mil em situação de insegurança alimentar em Cabo Verde.

Em fevereiro último, o Governo declarou situação de calamidade no país até 31 de outubro, devido aos maus resultados do ano agrícola, e anunciou medidas preventivas e especiais.