Exportações cabo-verdianas de peixe e conservas em máximos de 15 meses

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As exportações de produtos do mar de Cabo Verde, que representam 80% das vendas ao exterior, ultrapassaram em outubro os 4,8 milhões de euros, o valor mais em alto em 15 meses, segundo dados do banco central.

De acordo com dados estatísticos do Banco de Cabo Verde a que a Lusa teve hoje acesso, sobre as exportações nacionais, de janeiro a outubro, o país exportou 3.159 milhões de escudos (28,5 milhões de euros) em produtos do mar, essencialmente conservas e peixe congelado.

Trata-se de uma quebra de 20% face aos 3.970 milhões de escudos (35,8 milhões de euros) de exportações em produtos do mar de janeiro – segunda principal a outubro de 2019.

Contudo, apesar dessa descida em 2020, influenciada pelas quebras mensais de abril a junho, período de confinamento generalizado devido à pandemia de covid-19, o mês de outubro totalizou 533 milhões de escudos (4,8 milhões de euros) em exportações de produtos do mar, registo só ultrapassado pelos 545 milhões de escudos (4,9 milhões de euros) em vendas no mês de julho de 2019.

Os produtos do mar representaram 79,4% das exportações de Cabo Verde em 2019 e têm Espanha como destino principal, essencialmente as conservas.

Em todo o ano de 2019, Cabo Verde exportou produtos do mar no valor de mais de 4.856 milhões de escudos (43,8 milhões de euros).

Uma parte substancial desta exportação é garantida pela empresa de transformação de pescado Frescomar, instalada na ilha de São Vicente, que tem planos para aumentar a produção, que era em 2019 de 51 milhões de latas de conserva, reforçando o estatuto de maior exportadora de Cabo Verde.

Em declarações à agência Lusa em dezembro de 2019, o diretor comercial da Frescomar, Luís Pinto, explicou que aquela empresa trabalha essencialmente com cavala, atum e melva (tunídeo), pescado em Cabo Verde, contando na altura com 1.650 trabalhadores.

Só na principal fábrica da Frescomar, em São Vicente, a perspetiva, face à previsão de crescimento da produção, que envolvia então, ainda, 25 mil toneladas de pescado processado, é ultrapassar os 2.000 trabalhadores.

Com todas as unidades em Cabo Verde, o grupo espanhol de transformação de pescado Ubago, proprietário da Frescomar desde 2008, quando assumiu a sua revitalização, é o maior empregador privado do arquipélago.

Além de Cabo Verde e Espanha, o grupo Ubago tem unidades de transformação de pescado e conservas em Portugal e Marrocos.

Em Cabo Verde, o grupo tem a fábrica da Frescomar em São Vicente e a concessão de um cais de descarga de pesca local também no Mindelo. Na mesma cidade, o grupo Ubago possui ainda um entreposto frigorífico, enquanto na ilha do Sal conta com uma outra unidade de receção de pescado.

Por: Lusa