O vice-primeiro-ministro cabo-verdiano, Olavo Correia, disse hoje que o Governo não prevê prorrogar a suspensão temporária do mecanismo de indexação automática dos preços dos combustíveis, que termina em 30 de junho, garantindo medidas de mitigação e contenção.

“Nós avaliamos os impactos possíveis, nós não estamos a apontar para uma prorrogação”, respondeu o também ministro das Finanças, no parlamento, durante o debate de apresentação da proposta de lei que altera as taxas de direito de importação e das taxas de imposto sobre o consumo especial constantes na pauta aduaneira.

Em março, o Governo aprovou um conjunto de medidas mitigadoras dos impactos da escalada de preços, provocadas pela guerra na Ucrânia, como a suspensão temporária por três meses — até 30 de junho – do mecanismo de indexação automática dos preços dos combustíveis.

De acordo com o número dois do executivo cabo-verdiano, vão ser tomadas medidas de contenção e de mitigação dos efeitos, quer para os produtos energéticos, quer para os combustíveis.

“E de acordo com os cálculos feitos, estamos em condições de continuar a proteger as famílias, as empresas e também de garantir a coesão social, com as medidas que estamos a tomar, mas vamos continuar a avaliá-las em função da evolução do mercado porque nós não temos a certeza como é que os preços vão evoluir nos próximos meses, nos próximos dias”, disse o ministro, na segunda sessão plenária de junho.

De abril a junho, o Governo indicou que evitou aumentos médios dos combustíveis de 16,1%, graças às medidas tomadas até agora.

Na segunda-feira, o primeiro-ministro cabo-verdiano, Ulisses Correia e Silva, declarou a situação de emergência social e económica no país devido aos impactos da guerra na Ucrânia, anunciando mais medidas.

O chefe do Governo avançou que o custo total para implementação das medidas de mitigação dos efeitos das crises alimentar e energética é de 8,9 mil milhões de escudos (80,7 milhões de euros) até ao final deste ano.

Ulisses Correia e Silva disse que a declaração da situação de emergência social e económica vai permitir ao país acionar os parceiros internacionais, em contactos que já estão a ser feitos para conseguir os recursos necessários.

O país vive uma profunda crise económica, após uma recessão de quase 15% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020, face à ausência de turismo provocada pela pandemia de covid-19, setor que garante 25% do PIB e do emprego.

O Governo cabo-verdiano admitiu que o país cresceu 6,5, em 2021, impulsionado pela retoma da procura turística, mas reviu esse crescimento em baixa para os 4%, devido às consequências económicas da invasão russa da Ucrânia.

Na semana passada, o BCV anunciou a revisão em baixa e uma moderação do crescimento económico para 2022 no intervalo de 3,5% a 4,5%, justificada com o conflito na Ucrânia e a tensão geopolítica.

Por: Lusa