Instituto do Turismo identificou as primeiras ‘vilas’ para receber os “nómadas digitais”

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Cabo Verde identificou, em São Vicente e Tarrafal de Santiago, as primeiras ‘vilas’ para receber os “nómadas digitais”, no âmbito de um programa para diversificar e reinventar o turismo durante a pandemia de covid-19.

administrador do Instituto do Turismo, Francisco Martins, começou por explicar à agência Lusa que a vila é um conceito abstrato, já que não será a construção de infraestruturas, mas sim uma comunidade onde os profissionais digitais vão ficar inseridos.

O programa “Remote Working Cabo Verde – Nómadas Digitais” foi lançado oficialmente na cidade da Praia, em dezembro de 2020, e o país já recebeu cerca de três dezenas de profissionais, dos quais perto de uma dezena está em São Vicente.

Segundo o administrador, tudo foi conseguido em parceria com um privado, que criou todas as condições ideais para trabalhar, com destaque para a internet de alta qualidade, tendo em conta que o teletrabalho ganhou mais força no contexto da pandemia.

“São pessoas que, pelas suas caraterísticas, não trabalham oito ou 10 horas seguidas. Dependendo do perfil, têm um pico de trabalho durante o dia e depois vão fazer outras coisas”, salientou Francisco Martins, notando que esses profissionais procuram estar inseridos num ambiente urbano.

Por isso, a escolha por São Vicente, pela proximidade à ilha de Santo Antão, e de Tarrafal de Santiago, na mesma ilha da capital do país (Praia), que oferecem atividades culturais, gastronomia, desportos radicais, náuticos, turismo de natureza e de montanha e serviços.

“Fazem muitas atividades que criam um grande impacto na comunidade onde estão instalados”, enfatizou o mesmo responsável cabo-verdiano.

O programa Remote Working (trabalho remoto) é uma das estratégias para reinventar o turismo durante a pandemia de covid-19 e, segundo o administrador do instituto, estar já a receber os primeiros participantes é um sinal de que Cabo Verde tem o que muitos outros países não têm.

“É a possibilidade de oferecer vários produtos para o mercado turístico, e a diversificação, ainda mais neste contexto da pandemia, e face à procura que baixou bastante a nível de turismo de resorts”, frisou.

Francisco Martins sublinhou a oportunidade de aproveitar outros produtos e nichos de mercado, além do sal e praia, que são cada vez mais procurados em várias regiões do mundo, nomeadamente México, Barbados, Filipinas, Malta, Geórgia, Portugal (Madeira, Açores).

São jovens, que normalmente trabalham por conta própria e quando estão a trabalhar gostam de viajar, permanecendo em média dois a três meses num destino, com um visto temporário de trabalho com a duração de seis meses, com possibilidade de renovação por igual período.

Além de São Vicente e Tarrafal de Santiago, o administrador disse à Lusa que todas as ilhas de Cabo Verde têm condições para receber esses trabalhadores independentes, basta ter uma boa ligação à internet.

“Das dez ilhas que nós temos, todas elas, desde que tenham internet — Santa Luz (a única desabitada) se calhar nesta fase vai ficar de fora — porque é a ferramenta de trabalho fundamental para um nómada digital”, especificou.

Com este programa, Cabo Verde pretende cativar 4.000 estrangeiros qualificados para trabalhar remotamente a partir do arquipélago nos próximos três anos.

Com custo total por pessoa de 54 euros, prevê isenção do pagamento de imposto sobre o rendimento para os trabalhadores independentes que se fixem no arquipélago em teletrabalho.

O programa, cujas candidaturas podem ser apresentadas por via eletrónica, na página www.remoteworkingcaboverde.com, destina-se apenas a cidadãos de países da Europa, América do Norte, da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO).

Obriga, além de um teste negativo para a covid-19 para entrar no arquipélago, à apresentação de prova de rendimentos, nomeadamente um saldo médio bancário de pelo menos 1.500 euros nos últimos seis meses, para um visto individual, e acima de 2.000 euros para um visto de família, e comprovativo de alojamento local.

Cabo Verde registou em 2019 um recorde de mais de 819 mil turistas, mas essa procura caiu mais de 70% em 2020, devido às limitações impostas internacionalmente para travar a transmissão da covid-19 e o país está agora em fase de recuperação do turismo.

Neste momento, o arquipélago tem mais de 80% de adultos que já receberam a primeira dose de vacina contra a covid-19 e cerca de 70% já está completamente vacinada e tem uma baixa incidência de casos diários de infeção.