Integração de jogadores jovens cabo-verdianos – Opinião de Joel de Castro

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O potencial é enorme nos jogadores jovens cabo-verdianos e alguns, aqueles que têm essa oportunidade, conseguem mesmo aparecer muito jovens a jogar nas equipas principais. Um bom planeamento estratégico e um acompanhamento pode ajudar a que apareçam muitos mais jovens e consequentemente começar a formar uma base de recrutamento interno para as selecções jovens de Cabo Verde.

 

Podem as várias associações de futebol do pais, em conjunto com a federação, impor regras nas inscrições das equipas para usufruírem num curto médio prazo destes talentos. O objectivo é dar oportunidade e aumentar o número de jogadores jovens em competição.

Vejamos o seguinte exemplo. Se cada equipa for obrigada a inscrever pelo menos um jogador de 16/17 anos, vão ser muitos jovens a aparecer e a ter pelo menos a oportunidade de se treinar regularmente com equipas que disputam competições no país. Vejamos outro exemplo. Se em cada jogo cada equipa for obrigada, como regra, a ter no seu 11 inicial um jogador com menos de 21 anos, vai originar que os melhores jogadores daquela faixa etária tenham mais visibilidade e capacidade de mostrar todo o seu potencial. Penso que tem que existir incentivos e regras conjuntas para que o jogador jovem seja visto com outros olhos para os treinadores, adeptos e dirigentes.

Não são todos os treinadores que gostam de apostar em jogadores jovens, mas Cabo Verde só tem a ganhar se estes, muitos deles “diamantes por lapidar”, tiverem aquela oportunidade que por vezes lhes falta. Os campeonatos internos dão esta liberdade e os clubes podem contribuir sem nenhum desconforto no seu quotidiano. Tem que ser uma regra igual para todos para que todos vejam isto como uma vitória e não como um entrave nos seus objectivos.

São vários os exemplos de talentos que numa idade jovem despontaram nas competições internas do país. Houve coragem por parte das direcções dos clubes, por partes dos treinadores e depois o talento individual fez o resto necessário para que estes seguissem para outros campeonatos mais competitivos expondo o nome de Cabo Verde ao mundo. São o caso, por exemplo, de Nelson, Zé Luís, Heldon, etc.

Por vezes é uma questão de oportunidade e a minha experiência em Cabo Verde diz-me que com essa oportunidade os miúdos vão agarra-la de certeza.  Tem que haver paciência, planeamento e força de vontade para que todos possam sair a ganhar com esta tomada de decisão.

 

Treinador Joel de Castro