Joel de Castro: “Fui alertado pela policia nacional a apresentar queixa”

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Chama-se Joel Rúben Aparecido Mota de Castro tem 30 anos e hoje na ilha do Fogo todos o conhecem. Fez historia neste final de semana na ilha mas já tinha feito antes quando chegou em Cabo Verde ao ser o primeiro treinador português a treinar um clube cabo-verdiano.

No inicio da época o Spartak da Aguadinha anunciava o jovem como novo treinador do clube, a ideia inicial era que ele reestruturasse o clube em dois anos. Joel tem um contrato de uma época com mais uma de opção. Ser campeão nunca foi o objectivo do Spartak.

Neste entrevista Joel de Castro conta a sua trajectória no Spartak e dos episódios que aconteceram durante o regional inclusive os negativos. O treinador foi aconselhado pela policia a apresentar queixa por causa de ameaças.

DTudo1Pouco: Quando foi proposto treinar o Spartak o que pensou?

Joel de Castro: Quando o Spartak me contactou achei que seria uma oportunidade única para iniciar a minha carreira como treinador principal. Pensei, chegou a oportunidade de mostrar o meu valor.

DTudo1Pouco: Chegou ao clube e qual era o objectivo da direcção para esta época?

Joel de Castro: O objectivo foi sempre para que eu ajudasse a reestruturar o clube com ideias diferentes de organização para que um dia em 2/3 anos o titulo chegasse.

DTudo1Pouco: Obviamente superou as expectativas. Qual foi o segredo do sucesso?

Joel de Castro: No futebol não há segredos. Existe competência, inteligência e muito trabalho. Penso que a minha metodologia de treino imposta e a motivação extra que dei aos jogadores foi a chave do sucesso. Sempre disse internamente que as coisas tinham que nos correr na perfeição para sermos campeões, e assim foi.

DTudo1Pouco: Quais foram as maiores dificuldades enfrentadas pelo clube durante o regional?

Joel de Castro: O Spartak é um clube modesto, que vive essencialmente da boa vontade de um grupo de pessoas que ama o clube incondicionalmente. Quando é assim claro que nada abunda a não ser a boa vontade daqui e dali. Este ano com a minha vinda todos fizeram um esforço extra para que eu pudesse realizar o meu trabalho dentro do melhor que o clube podia. Foram sempre surgindo entraves, confronto de ideias dentro da direcção e coisas que eles próprios não estavam habituados. O Spartak estava habituado a ganhar ás vezes e eu fiz do Spartak um clube ganhador. Não é fácil gerir essa pressão.

DTudo1Pouco: Sei que houve agressões a atletas e também que dirigentes do Spartak foram ameaçados. Faz uma ideia porque disso?

Joel de Castro: Claro que faço ideia porque também sofri na pele, não agressões físicas mas psicológicas. Elas foram constantes. Fui inclusive alertado pela policia nacional a apresentar queixa. Contudo penso e espero que os ânimos estejam mais calmos e que todos aceitem a derrota porque o desporto, e concretamente o futebol, é mesmo assim, ninguém tem sucesso eterno. Hoje ganha-se, amanha perde-se. Faz parte.

DTudo1Pouco: Vem agora o campeonato nacional, o seu plantel estará pronto para dignificar o futebol foguense?

Joel de Castro: Se algum plantel no Fogo esta pronto tem que ser o do Spartak. Temos que ter em atenção que tudo isto é novo para a maioria e nesta fase é tirar o partido máximo dessa experiência. Estar nos melhores 12 clubes de Cabo Verde não é todos dias. Uma coisa é certa vamos ser dignos e respeitar sempre o emblema que representamos. Agora estar a prometer isto ou aquilo acho que não faz sentido.

DTudo1Pouco: Financeiramente o Spartak tem condições de se aguentar no campeonato nacional?

Joel de Castro: Tenho certeza que o Spartak vai proporcionar todas as condições para que nada falte nesta próxima fase. Ate porque tudo isto é um prémio do nosso trabalho. Outro factor é que ao ser campeão as ajudas começaram a ser algumas. Vamos aguardar para que tudo corra da melhor maneira.

DTudo1Pouco: A equipa vai reforçar-se?

Joel de Castro: Reforçar-se para o campeonato nacional não. Temos 23 atletas neste momento e é com esses que conto.

DTudo1Pouco: Os adversários, conhecidos ate agora, do Spartak no Grupo A são: Académica da Boavista, Académica do Porto Novo e Académico 83. Está no meio das Académicas, qual considera a equipa mais forte do grupo?

Joel de Castro: Sim parece-me que este ano é o ano das Académicas mas não em todas as ilhas. No Fogo por exemplo é o Spartak. Concretamente aos adversários do grupo. Considero todos eles adversários de respeito e não tenho duvidas que serão jogos muito difíceis. Digo ate que o único desconhecido será mesmo o Spartak e aquele que me parece menos experiente.

DTudo1Pouco: Qual vai ser a Meta do Spartak para o Campeonato Nacional?

Joel de Castro: A meta será fazer o melhor possível. Mas temos que fazer do Estádio 5 de Julho o nosso castelo. A partir dai é disputar cada jogo com um intuito apenas. Ganhar.

DTudo1Pouco: Quem é treinador que mais admira?

Joel de Castro: Tenho 3 treinadores que admiro muito. Guardiola, Villas-Boas e Leonardo Jardim. Cada um deles tem características que admiro. Mas nunca vi neles um alvo de imitação. Quero seguir o meu próprio caminho e estilo. Penso que aos poucos vou criando a minha identidade própria e é isso que define.

DTudo1Pouco: Qual é a sua inspiração?

Joel de Castro: A minha inspiração é o gosto que tenho pelo treino. É aqui que bate a minha saudade, o meu desejo, a minha loucura. Aqueles momentos são para mim tudo o que desejo. Treinar e poder treinar deixam-me fantástico.

DTudo1Pouco: É colaborador do DTudo1Pouco com cronicas semanais, pensa escrever um livro?

Joel de Castro: Gosto de escrever para transmitir ás pessoas o meu pensamento em relação a determinados temas importantes dentro da temática do futebol. Se tiver mais tempo quem sabe um dia poderei editar algum livro. Tenho um livro em elaboração, agora parado, mas que nada tem haver com futebol. Quem sabe um dia não volte a pegar e o conclua.

 

Bruno da Moura