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Lula da Silva considera Zelensky “tão responsável quanto Putin pela guerra”

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Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à Presidência do Brasil, afirma, em entrevista à revista norte-americana Time, que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e o homólogo russo, Vladimir Putin, partilham a responsabilidade pela guerra na Ucrânia. Esta posição coloca o rosto da ala esquerda brasileira em desacordo com o Ocidente.

Na entrevista à revista norte-americana, Lula da Silva faz uma avaliação sobre a ação dos protagonistas na guerra da Ucrânia.
 
“Vejo o presidente da Ucrânia, a falar na televisão, a ser elogiado, a ser aplaudido de pé por todos os parlamentares [europeus]”, aponta o antigo presidente brasileiro – cargo exercido entre 2003 e 2010 -, que volta agora a candidatar-se.

“Esse cara [Zelensky] é tão responsável quanto Putin pela guerra”, acrescenta.
 
“Putin não deveria ter invadido a Ucrânia. Mas não é apenas Putin que é culpado. Os EUA e a UE também são culpados”, afirma Lula.
NATO como faísca
O político brasileiro é da opinião de que Zelensky deveria ter cedido à oposição russa quando a Ucrânia desencadeou movimentações para aderir à NATO.
 
“Qual é a razão da invasão da Ucrânia? É a NATO? Os Estados Unidos e a Europa poderiam ter feito outra leitura: a Ucrânia não vai entrar na NATO. Estaria resolvido o problema”, responde.

A melhor opção para o presidente ucraniano seria ter mantido negociações com Putin para evitar um conflito, ainda segundo Lula.
 
Durante a entrevista, as críticas também se estendem ao presidente dos EUA, Joe Biden, a quem Lula deixa alguns reparos: “Os Estados Unidos têm muita influência política. E Biden poderia ter evitado a guerra, não incitando”.

“Biden poderia ter apanhado um avião para Moscovo para conversar com Putin. Esse é o tipo de atitude que se espera de um líder”.
Pressa da UE
Sobre a integração da Ucrânia na UE, Lula defende que é um plano apressado: “Não é o momento de a Ucrânia entrar na União Europeia, vamos esperar. A UE não precisaria de fomentar o confronto”.
 
Estima-se que a perspetiva partilhada agora na revista norte-americana tenha algum impacto nas intenções dos EUA e da Europa, nomeadamente a propósito do fornecimento de apoio militar à Ucrânia e aplicação de sanções punitivas à Rússia. Para o Ocidente, desde o primeiro momento, a invasão foi interpretada como um ato de agressão russa não provocada.
Zelensky no ecrã
Sobre a ascensão de Zelensky e a sua popularidade como ator e comediante, Lula explica que gostaria de dizer ao presidente ucraniano, de uma forma direta, que ele era “um bom comediante, mas não vamos fazer guerra para aparecer na TV”.
 
“O comportamento dele é um pouco esquisito, porque parece que ele faz parte de um espetáculo”, acrescenta. “Era preciso que ele estivesse mais preocupado com a mesa de negociação”, observa.
 
“Mas eu acho que ninguém está a procurar contribuir para ter paz. As pessoas estão a estimular o ódio contra Putin. Isso não vai resolver. É preciso estimular um acordo. Mas vejo que há um encorajamento [ao confronto]. Fica-se estimulando o cara [Zelensky] e ele sente-se o máximo”, argumenta.
Lula
Com 76 anos, Lula da Silva defrontará a ala direita de Jair Bolsonaro nas próximas eleições presidenciais, a 2 de outubro. Para já, de acordo com as mais recentes sondagens, citadas pela Time, lidera as preferências dos eleitores com 45 por cento contra 31 por cento do atual presidente.
 
Durante os dois mandatos, o ex-presidente Lula foi um ator importante no cenário externo, contribuindo para a influência diplomática do Brasil.
 
No xadrez da política internacional, Lula foi considerado um construtor de pontes, mantendo laços cordeais com uma variedade de líderes como George W. Bush, dos EUA, Hugo Chávez, da Venezuela, ou Mahmud Ahmadinejad, do Irão.
Por: RTP