Marco Soares: Eu tinha tudo acertado para ir para a Premier League (Video)

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Marco Soares, capitão da seleção nacional de futebol, contou ao site do Sindicato de Jogadores Profissionais de Portugal sobre o passado, o presente e o futuro.

O médio de 36 anos, do Arouca, que subiu a segunda liga, pretende continuar mais duas épocas a jogar e ir para fora de Portugal não esta no planos, em prol da família. Marco, também retomou os estudos e tem um projeto de vestuário e calçado, onde já criou a sua própria marca.

Há dez anos, estava na União de Leiria a disputar, segundo ele, a melhor época da carreira e num jogo frente ao Sporting fraturou a tíbia e esteve afastado dos relvados ao longo de 14 meses, nos quais se sujeitou a três intervenções cirúrgicas.

“Quando eu parti a perna, no jogo contra o Sporting, já quase a acabar o jogo, aos 86′. Nessa altura, estava a ser uma das minhas melhores épocas e eu tinha praticamente tudo acertado para ir para Inglaterra, para a Premier League, para o Sunderland. Parti a perna, parei 14 meses, tive de fazer três operações, pensei que já não ia voltar a jogar futebol. Para mim, isso foi uma grande superação”.

O capitão da seleção nacional inscreveu-se, agora, para acabar o 12.º ano, que era onde ele estava quando deixou a escola.
 
“Tentei conciliar com o futebol, com o estatuto de trabalhador-estudante que se tinha na altura, mas eu faltava a imensas aulas e depois chegava aos testes e realmente tinha muitas dificuldades. Acabei por desistir da escola e foquei-me só no futebol. Agora, tive a oportunidade e, através do Sindicato, eu vou acabar o 12.º ano, mesmo a pensar nisso, na preparação do meu futuro, até para poder tirar outros cursos também, relacionados com o desporto e não só”.

Para além disto, Marco Soares tem agora o “Sonoskisabi”, uma marca e a ideia do nome surgiu pois durante a carreira teve momentos difíceis e então o “só nos” refere-se a ele e a Deus.

“Pensei em criar essa marca que de início era só de calçado. Mas, entretanto, começaram a surgir ideias e mais ideias… Eu gosto muito de moda, as minhas próprias peças de roupa são “invenções” minhas, acabo sempre por modificá-las. Acabou por surgir daí a ideia. Um dia, estava a dormir e acordei assim do nada às cinco da manhã. Começaram a vir ideias e mais ideias e comecei a escrever tudo num caderno. Neste momento, a marca já está registada, comecei a dar os primeiros passos para a criação das peças, que espero que dentro em breve possam sair”.
 
Quanto a seleção nacional, Marco pretende continuar no futebol, depois de pendurar as botas.

“O meu futuro pode muito bem passar pela seleção, como dirigente, por exemplo. Vou também começar a preparar-me ao nível das competências como treinador, algo em que nunca tinha pensado até há bem pouco tempo. Nos últimos anos, vários colegas têm-me dito que tenho perfil para vir a ser um bom treinador. Eu não tenho esse “bichinho”, mas a verdade é que se me perguntassem há dois anos, eu dizia: “Não, está fora de questão”. Neste momento, estou a pensar começar a tirar o curso de treinador e, ao mesmo tempo, tirar um curso de dirigente desportivo e penso que vai sempre passar por aí, porque, parecendo que não, são já 14 anos ligado à seleção”, começa por dizer o atual capitão dos Tubarões Azuis.
 
“Em Cabo Verde, as pessoas têm um carinho enorme por mim e eu sinto que posso acrescentar ao futebol cabo-verdiano, então é dessa forma que vou procurar preparar-me para, se e quando acontecer, conseguir corresponder às expetativas e poder ajudar. É também por essa razão que a marca está em cabo-verdiano, por causa dessa forte ligação a Cabo Verde e por causa do carinho e do feedback que eu sinto das pessoas e pretendo também fazer chegar essa marca e as suas peças a Cabo Verde”.
 
A entrevista termina com Marco Soares a deixar um conselho aos mais novos: 
 
“Primeiro estão os estudos e só depois o futebol. No futebol, não sabemos no que vai dar, no dia de amanhã. Nem todos vão ser Cristianos Ronaldos, nem Messis, nem todos vão conseguir ter uma carreira sustentável, há lesões pelo caminho, e temos que ter onde nos agarrar. E os estudos são o nosso maior trunfo, até na nossa formação como homens”.