Messi: “Fiz tudo para ficar”

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Internacional argentino não escondeu a “tristeza” pelo facto de não poder continuar em Camp Nou.

Lionel Messi apresentou-se, este domingo, visivelmente emocionado em Camp Nou, onde explicou os motivos que o levaram a abandonar o Barcelona. O internacional argentino garantiu que fez “tudo para ficar”, o que acabou por não ser possível.

Os limites salariais de La Liga acabaram por ser determinantes para o ‘adeus’ do craque argentino, que já não esconde que assinar pelo Paris Saint-Germain é “uma possibilidade” concreta.

Sente-se enganado: Não, não. Fizemos todos os possíveis, mas não aconteceu. Eu sempre fui frontal com os sócios e os adeptos, nunca menti em nada. Fui sempre transparente. Toda a gente é livre de opinar, mas nem tudo é verdade. Fui sempre sincero. Para mim, o mais importante era dizer a verdade a todas estas pessoas que tanto me deram e a quem tanto dei.

Estava disposto a reduzir o ordenado: Já tinha reduzido 50% e tínhamos fechado o contrato, mas não foi possível. Li por aí que pedi mais 80%, mas é mentira. Fizemos todos os possíveis, mas não aconteceu.

Faltava conquistar mais uma Liga dos Campeões: Saio com essa espinha entalada, porque tivemos muito próximos. Tivemos uma geração em que era possível conquistar mais uma Liga dos Campeões, mas o futebol é isto. Por outro lado, conquistei outras coisas. Não me arrependo de nada, dei sempre o máximo, e umas vezes foi possível e outras não. É um dos meus objetivos conquistar mais uma Liga dos Campeões e mais títulos. Quero terminar a carreira com o maior número de títulos possível.

Jogar no Barcelona sem receber: Fiz tudo o que era possível para ficar. Não foi possível. Não tenho mais nada a dizer. Fizemos tudo o que era possível.

Precipitação no final das negociações: O presidente já explicou que o clube tem uma dívida muito grande e não pode endividar-se mais. Apercebeu-se de que não era possível, até porque La Liga não o permitia. Para quê tentar mais se é impossível. Também tenho que pensar no meu futuro.

Quantos anos lhe restam no futebol: Não sei, depende de como me sinta, de como o físico responder. Felizmente, não tive lesões graves na minha carreira. É até dar, porque depois tudo termina. Falo com muitos ex-companheiros, que me contam que é difícil o dia-a-dia, porque estamos habituados à rotina. Até poder, vou tentar continuar a competir.

Esteve em Ibiza com jogadores do PSG: Falou-se muito, mas não faz sentido. Durante a Copa América, eu e Di María falámos que íamos estar em Ibiza e que íamos estar juntos. Nessa noite, ligou-me Neymar, de quem também sou amigo, e disse ‘Estou em Ibiza, vamos encontrar-nos’. Encontrámo-nos todos como amigos, estava lá o Verratti também, e tirámos a fotografia. Disseram logo ‘Vem para Paris’, mas foi uma coincidência. Não há nada de estranho, foi só uma fotografia de amigos num momento que partilhámos durante as férias.

Representar um rival do Barcelona: As pessoas do Barcelona conhecem-me, sabem que sou um vencedor, que quero continuar a competir. Lutei sempre para ganhar tudo. Quero terminar a carreira dessa mesma maneira. A minha mentalidade foi sempre essa, de querer mais. A minha intenção foi ficar. Não foi possível, agora tenho que procurar o meu caminho para continuar a ganhar.

Como foram os últimos dias: Foi um balde de água fria. Não estava à espera, foi muito duro. Estamos a lidar como podemos. Quando for para casa, vai-me cair a ficha e vai ser ainda pior. O importante é que estarei com a minha família e a jogar futebol, que é o que mais gosto de fazer. Quando começar, vai-me passar um pouco tudo isto.

Presidente de La Liga inviabilizou a renovação: Não sei o que aconteceu, só sei que não foi possível devido a La Liga, porque o clube não podia gastar mais. Não tenho nada a dizer a Tebas. Nunca lhe disse nada. Quando me cruzei com ele, fomos cordiais. Não tenho que lhe dizer nada agora, porque não tenho nenhum problema com ele.

Barcelona deu falsas esperanças: Não. Todos tínhamos claro de que vinha, de tal maneira que tínhamos tudo fechado, não havia nenhum problema. Fomos sempre sinceros, pelo menos da minha parte. Não foi possível, mas eu nunca enganei ninguém.

Pode regressar a Camp Nou como jogador: Claro que sim, mas não vai ser o mesmo. O momento devia ser agora, quando tenho que sair. Para estas pessoas, estou disposto a tudo.

Frustrado por sair: Quando passaram as eleições, comi com o presidente novo e falámos. Depois disso, estava bastante convencido de que ia ficar e que não ia haver nenhum problema. O meu contrato nunca foi problema. Depois, aconteceu o que aconteceu e não foi possível. Não tive muitas dúvidas. Já sabíamos o que tínhamos decidido.

Barcelona sem Messi: O Barcelona é a maior equipa do mundo, tem um grande plantel e, certamente, vão chegar mais jogadores. No final, os jogadores passam, o clube é mais importante do que qualquer um, e as pessoas vão habituar-se. O início vai ser estranho, mas têm muito bons jogadores, por isso, no final, tudo se irá resolver.

Desiludido com o Barcelona: Sinto muita tristeza por deixar o clube que amo num momento que não esperava. Nunca menti, fui sempre frontal e disse a verdade. No ano passado, queria ir, mas este não. Daí a tristeza.

Etapa mais difícil da carreira: Sem dúvida. Tive muitos momentos difíceis, muitas derrotas, mas, no dia seguinte, voltava a treinar e tinha outra oportunidade. Isto não, já não volta. Agora, começa outra história.

Que legado deixa: Cresci com os valores deste clube, tentei sempre trabalhar com humildade e respeito para jogar pelo Barcelona. Espero que me reconheçam por isso, pelo meu jogo, pelo que fiz dentro de campo. Que cada um me recorde como quiser. Estou agradecido pela carreira que tive no Barcelona, pelos títulos conquistados e pelas derrotas também, que me fizeram crescer, por muito que me tivessem feito sofrer.

Vai jogar no PSG: É uma possibilidade, mas, até este momento, não tenho nada fechado com ninguém. É verdade que, no momento em que saiu o comunicado, recebi muitas chamadas, vários clubes estavam interessados, mas ainda não há nada fechado. Estamos a falar, obviamente.

O que mais o entristeceu: Passa-me muitas coisas pela cabeça, e, ao mesmo tempo, estou um pouco bloqueado. Ainda não caí na realidade de deixar este clube, de mudar a minha vida por completo. Estou há 16 anos na equipa principal, agora começo do zero. É uma mudança dura, sobretudo para a minha família, porque sei o quanto gostam desta cidade. Mas vamos adaptar-nos bem. É uma mudança difícil, mas há que aceitá-lo.

Barcelona fez tudo para renovar: Não sei. O que sei é que eu fiz todo o possível. Laporta disse que não foi possível devido a La Liga, mas ouvi muita coisa que se disse sobre mim. Posso garantir que, da minha parte, fiz tudo para ficar, porque queria ficar. No ano passado, não queria ficar e também o disse. Este anos queria ficar, mas não foi possível.

O que aconteceu: Laporta já disse que estava tudo tratado, mas, devido a La Liga, não pôde acontecer. Foi só isso. Tínhamos tudo acordado, mas não pudemos concretizar.

Momento mais marcante no Barcelona: É muito difícil escolher um momento. São muitos anos, muitas coisas vividas, boas e más. Mas talvez quando tudo começou, quando tornei o meu sonho realidade. 

O discurso de Messi: Nestes últimos dias, pensei, tentei perceber o que ia dizer… A verdade é que não me saía nada, estava bloqueado, como ainda estou. Isto é muito difícil para mim, depois de tantos anos, de fazer toda a minha vida aqui. Não estava preparado. No ano passado, quando se armou toda a confusão, sabia o que tinha que fazer e estava convencido. Mas, este ano, não. Eu e a minha família estávamos convencidos de que íamos ficar cá, em nossa casa, que era o que mais queríamos. Colocámos sempre o nosso bem-estar à frente, para desfrutar da vida que temos em Barcelona, do ponto de vista profissional e pessoal, que era maravilhoso. Calha-me despedir-me disto após muitos anos, passei toda a minha vida cá. Cheguei muito pequeno, com 13 anos. Depois de 21 anos, saio com a minha mulher, com três catalães argentinos, e não posso estar mais orgulhoso de tudo o que vivi nesta cidade. Estarei alguns anos fora, mas vamos voltar, porque é a nossa casa. Prometi isso a mim mesmo.

Quero agradecer aos meus companheiros, ex-companheiros, a todos do clube, aos que vemos e não vemos, que são muitos. Cresci com os valores deste clube, tentei sempre trabalhar com humildade, respeito, e assim o fiz com todos. Dei muito ao clube, passei por muitas coisas bonitas, e também más, mas tudo isso me fez crescer e melhorar até ser a pessoa que sou hoje. Dei sempre tudo por este clube, por esta camisola, desde o primeiro dia até ao último. Agradeço o carinho das pessoas de sempre. Gostava de me ter despedido de outra maneira. Nunca imaginei despedir-me, não me passou pela cabeça, mas não o queria ter feito desta maneira. Queria tê-lo feito com pessoas no estádio, para poder ouvir uma última ovação deles, um último carinho. Senti muito a falta deles durante toda esta pandemia, quando não podíamos jogar com público.

Retiro-me deste clube sem vos ver há já mais de ano e meio. Imaginava-me fazê-lo de estádio cheio, perto das pessoas e podendo-me despedir bem. Mas deu-se assim, e repito o carinho por tudo o que passámos nestes anos. O carinho das pessoas foi sempre o mesmo, senti sempre o reconhecimento e o amor por este clube. Oxalá possa voltar a este clube, para acrescentar algo para que este clube continue a ser o melhor do mundo. Neste momento, certamente que me esqueço de muito do que queria dizer, mas não estou em condições de pensar. É melhor passar às perguntas. Obrigado a todos.

Por: Noticias ao Minuto