Ministro da Cultura diz que responsabilidade não pode ser assacada ao Governo quando artista é negado visto

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O ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Abraão Vicente, disse hoje que nem o Governo, nem as autarquias podem ser assacadas responsabilidades quando alguém não cumpra as formalidades para entrar num território, que não seja Cabo Verde.

Abraão Vicente reagia, assim, ao ser questionado pelos jornalistas sobre as críticas que os grupos de teatro e alguns artistas têm feito ao serem negados visto, por parte do Centro Comum de Visto, para participarem em eventos internacionais.

Recentemente, à Companhia de Criar-Arte foi recusado o visto para participar no Festival Internacional das Artes performativas, em Loulé (Portugal), uma situação que o responsável do grupo, Adilson Spínola, considerou que deixa a sua companhia numa situação constrangedora, bem como a organização do festival de Loulé que já contava com a representação de Cabo Verde.

A mesma fonte disse que “nem mesmo o Ministério da Cultura e das indústrias Criativas quis ajudar para contornar a situação”.

Para Abraão Vicente, o ministério tem feito a sua parte que é passar a carta conforto a dizer que são grupos credíveis ou artistas com carreira e ainda tem facilitado, através do balcão azul, a marcação de entrevista para visto desses artistas.

“Nós intervimos lá onde pudemos e (…) todos os grupos de Cabo Verde sabem. Nem o Governo, nem as câmaras municipais podem ser assacadas responsabilidades quando alguém não cumpra as formalidades para entrar num território que não Cabo Verde”, advogou.

Entretanto, disse, qualquer instituição ou associações, de qualquer país que convida um grupo de teatro, mesmo tendo tudo financiado, têm que garantir que têm as condições para receber os grupos.

Abraão Vicente disse que já alertou aos artistas para fazerem os pedidos de visto com antecedência para que o Centro Comum de Visto tenha capacidade de dar as respostas.

Conforme disse, na reunião do dia 12, em Cabo Verde, com os ministros da Cultura da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) vão discutir a questão do mercado comum da cultura, artes e indústrias criativas.

A questão da isenção de visto, assegurou, é uma decisão que deve ser tomada a nível da Cimeira dos Chefes do Estado, pois, não cabe aos ministros da cultura decidirem essa questão.

“Nós já estamos a trabalhar nisso em termos bilaterais com Angola, Moçambique, e já temos isenção de visto. A grande questão continua a ser o espaço Schengen e o Brasil, portanto, estamos a fazer o possível e eu nunca prometi há algum artista visto para entrar num território. Nós não decidimos” sublinhou.

O governante fez ainda referência sobre a polémica à volta dos artistas cabo-verdianos que lhes são negados à entrada nos Estados Unidos, pois, sublinhou, o departamento de Estado explica que ninguém pode entrar nos EUA para trabalhar, ou seja, dar concertos com visto de turistas.

Em relação à questão da classificação dos artistas, o ministro assegurou que mesmo que Cabo Verde certifique os seus artistas é preciso que haja um reconhecimento mútuo noutros países.

“Nós estamos a trabalhar no estatuto dos artistas e, assim que os critérios que decidamos que são válidos para se classificar um artista cá, também forem homologados por outros países, avançaremos com esse processo”, assegurou.

Por: Inforpress