Ministro das Finanças prevê uma recessão económica entre 6.8 a 8.5%, mas estes números “podem ainda ser piores”

108

O ministro das Finanças reiterou hoje que a recessão económica no país, provocada pela pandemia da covid-19, oscila entre 6.8 a 8.5% (por cento), mas, segundo ele, “estes números podem ainda ser piores” dependendo da evolução epidemiológica.

Segundo Olavo Correia, a taxa do desemprego vai duplicar, enquanto o défice orçamental vai registar um aumento de cerca de 11.4 por cento.

“O aumento da dívida pública pode atingir 145 a 150 % (por cento) do PIB [Produto Interno Bruto] ”, alertou o governante, acrescentando que se está diante de um desafio “jamais visto na história de Cabo Verde, quer do ponto de vista económico, quer do ponto de vista financeiro, como também do ponto de vista social”.

Olavo Correia fez essas considerações à imprensa, à margem do acto de lançamento da Plataforma de Negociação de Direitos e Obrigações, denominada Paylog, que vai “facilitar” a relação entre o Estado e os seus fornecedores e prestadores de serviços, garantindo o “pagamento atempado” às empresas.

Para o ministro das Finanças, também vice-primeiro-ministro, “não vale a pena chorar sobre leite entornado”, pelo que o desafio, agora, é Cabo Verde, enquanto nação, criar as condições para vencer os desafios e, até ao final do ano, “investir na sua e segurança sanitária, proteger os rendimentos, garantir o acesso à educação a todos, salvar as empresas bem governadas” e criar uma estratégia de médio prazo, em que se abordará a questão da conversão da dívida pública cabo-verdiana em “investimentos estratégicos”.

Na sua perspectiva, são essas as “prioridades que constam do Orçamento Rectificativo para 2020”.
Anunciou que o Orçamento do Estado para 2021 já está a ser trabalhado para, até inicio de Outubro, ser entregue ao Parlamento.

Instado sobre a compra de um avião para garantir o transporte dos doentes e também para a fiscalização do espaço aéreo nacional e a zona marítima, não avançou uma data em concreto, limitando-se a dizer que se está ainda no processo de consulta ao mercado.

Indagado sobre a construção do hospital de referência, na cidade da Praia, e cuja primeira pedra devia ser lançada ainda este ano, Olavo Correia reconheceu que se regista um atraso por causa da situação da pandemia pela qual está a passar o país, mas que os “estudos estão em curso”.

“Penso que nos próximos dias teremos os estudos concluídos que estão a ser feitos por uma equipa internacional”, disse, acrescentando que em função disto o Governo tomará uma decisão para, em parceria com o sector privado, dar a Cabo Verde um hospital de referência e que possa garantir uma ligação com todo o sistema de saúde, a nível nacional, e, também, com todos os demais hospitais de referência no mundo e a com a diáspora cabo-verdiana.

Instado a pronunciar-se sobre as declarações do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV-oposição), segundo as quais o agendamento em regime de urgência retira a oposição tempo para analisar o documento, Olavo Correia respondeu nesses termos:

“Hoje, ninguém tem tempo. Estamos num quadro de emergência e da necessidade de celeridade e todos nós, quer Governo, quer oposição, temos de acelerar o tempo. O tempo necessário para o debate [do Orçamento Rectificativo] existe. Hoje ninguém tem todo o tempo do mundo e nós temos que viver num quadro de restrições existentes, nomeadamente em matéria de tempo para as decisões”

Por: Inforpress