Morte de Carlos Alhinho começou a julgada após 10 anos

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Carlos Alhinho morreu há quase 10 anos, em Benguela, Angola, vítima de queda num fosso de elevador de um hotel.
 
Quase uma década depois, o julgamento do caso apenas teve início esta quinta-feira. Carlos Alhinho filho continua a reclamar para que o falecimento do pai não caia no esquecimento. 

«O tempo que passou até agora é para mim incompreensível. Eu só quero ver este processo terminado», pede, desgostoso por o ministério público nunca ter concluído as investigações, desejando a condenação do hotel contra o qual moveu ação civil, em nome pessoal.

«Com certeza não será uma indemnização que vai reconfortar-me, mas, através de eventual verba, poderei dar continuidade aos projetos e ação social de Cabo Verde», expressa o filho do malogrado treinador, lembrando que Carlos Alhinho dera o seu nome a uma academia de futebol onde muitos miúdos se amparavam:

«A academia fechou há três anos. O único dinheiro que lá entrava era o do meu pai. Nunca tivemos patrocínios. Chegamos a ter mais de cem miúdos a praticar futebol, e nem todos eram pagantes. Foi parte de um trabalho de ação social que foi iniciado mas que, por falta de verba, foi forçosamente interrompido».

«O amor e o respeito que o senhor meu pai sempre teve por Angola não foi o mesmo que Angola teve por ele», completou, lembrando ter perdido a sua maior referência.
 
Carlos Alhinho nasceu em 1949 em São Vicente, mas foi em Portugal que começou a jogar passando por Academica Sporting, Real Betis, FC Porto, Benfica, Monebeek (Belgica), Jacksonlille Tea Men (EUA), Portimonense e Farense onde terminou a carreira na temporada 1983/84.
 
Depois seguiu-se a carreira de treinador que começou na época em que deixou os relvados. Lusit. Evora, selecção de Cabo Verde (1985 a 1986), Ac. Viseu, Portimonense, Ac. Viseu, Angola, FAR Rabat, ASA, Babajoz (Espanha), Al Ahli e Qatar SC, ambos do Catar, Al-Muharraq (Barém), Petro de Luanda, Cabo Verde (2005) e Al-Qadisiya em 2006/2007.
 
Alhinho morreu aos 59 anos, em Maio de 2008, numa altura em que se preparava para assinar contrato pelo 1.º de Maio.
 
Fonte: A Bola