O embaixador dos Estados Unidos da América (EUA) em Cabo Verde, Jeff Daigle, anunciou hoje que a construção da nova embaixada na Praia, avaliada em mais de 400 milhões de euros, deverá arrancar em 2025 e demorar quatro anos.

“Normalmente, esperamos a construção de uma embaixada dos EUA em quatro anos. Portanto, ainda falta muito tempo para termos as novas instalações, mas até pode ser mais rápido. Para termos os terrenos foram dez anos, para a construção talvez sete ou oito”, disse o diplomata, em conferência de imprensa, na Praia, para dar conta do início do processo de desenho do edifício, que será contíguo ao Palácio do Governo de Cabo Verde.

“Sabemos que é uma localização prestigiada e um símbolo da relação de proximidade bilateral de cooperação que temos entre os dois países, que vai crescer e aprofundar-se nos próximos anos e décadas”, afirmou Jeff Daigle.

Uma equipa do Bureau of Overseas Buildings Operations (OBO), instituição do Departamento de Estado dos EUA responsável pela construção das representações diplomáticas norte-americanas, integrando cerca de 20 arquitetos, engenheiros e designers, está de visita a Cabo Verde para começar a definir, em conjunto com um estúdio de design e o gabinete de arquitetura cabo-verdiano liderado por Sérgio Freitas, o projeto do novo ‘campus’ da Embaixada dos EUA, que ocupará uma área de 4,6 hectares.

“É um processo lento e complexo. Começámos a preparação do local, do terreno, já iniciámos o processo de desenho do projeto, que vai levar um ou dois anos (…). Muitos dos materiais são sensíveis e têm de ser enviados dos Estados Unidos, vai levar muito tempo. Provavelmente vamos começar a ver atividade no local em 2025”, acrescentou Jeff Daigle, questionado pela Lusa.

Manifestou igualmente o desejo que o novo ‘campus’ seja um “bom vizinho” para a envolvente, no centro da cidade da Praia, além do “investimento significativo” que representa para as relações bilaterais.

A obra foi formalmente lançada em julho de 2021, após a conclusão da compra de três parcelas de terreno na zona da Várzea, por cerca de 10 milhões de dólares (9,1 milhões de euros), envolvendo a negociação com a Câmara Municipal da Praia e o Governo cabo-verdiano. Contudo, uma dessas parcelas corresponde à atual Escola Secundária Cónego Jacinto. Alberga 1.800 alunos, 110 professores e 20 funcionários e só depois de construída a nova escola é que esse terreno será libertado para a nova rmbaixada norte-americana.

Orçada globalmente em 439 milhões de dólares (402 milhões de euros, o Orçamento do Estado de Cabo Verde ronda os 700 milhões de euros), esta obra deverá envolver empreiteiros cabo-verdianos e a equipa de desenho está a consultar especialistas e artesãos locais para apoiar o processo e construir um edifício dentro da realidade e cultura do arquipélago.

Representará uma injeção, prevista, de 100 milhões de dólares (91,5 milhões de euros) diretamente na economia local.

Atualmente, segundo dados apresentados por Jeff Daigle, a Embaixada dos EUA em Cabo Verde emprega cerca de 200 trabalhadores cabo-verdianos, que representam cerca de cinco milhões de dólares em salários anuais.

“Quando a nova embaixada estiver em pleno funcionamento esperamos que este número suba para mais de 250, a maioria altamente qualificados”, acrescentou.

O novo ‘campus’ vai concentrar todos os serviços administrativos, diplomáticos e consulares dos EUA em Cabo Verde e a segurança e controlo de acessos passará a ser garantida por uma guarnição de ‘marines’.

Além da definição do projeto, em curso pela equipa liderada pelo OBO, o embaixador norte-americano alertou que também é necessário fechar o financiamento da obra junto do Departamento de Estado, processo que ainda não está concluído.

O OBO tem um portefólio de obras, fora dos EUA, no valor de 71 mil milhões de dólares (65 mil milhões de euros), que incluem 167 representações diplomáticas norte-americanas, avaliadas em 18 mil milhões de dólares (16,5 mil milhões de euros).

Por: Lusa