Nova era vai ser inaugurada na FCF com as eleições em Abril

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A Federação Cabo-verdiana de Futebol vai eleger novos corpos gerentes, no próximo mês de Abril. O actual presidente da Direcção, Mário Semedo, não será candidato a sua própria sucessão.

Ele que liderou a instituição desde quando pertence-la não dava status, entre outras conquistas, fez o País subir mais de cem posições no Ranking Mundial da FIFA e entrar no Top 30 e arquitectou duas qualificações para a Copas de África das Nações.

A não continuidade de Semedo, abre espaço para um novo ciclo na história da entidade que agora tem prestígio e desperta o interesse de muita gente. Para a nova fase, o comandante deixa um grande legado mas também grandes responsabilidades para seu sucessor. Manter o prestígio, elevar Cabo Verde ainda mais no cenário futebolístico mundial e resolver questões internas como novo modelo para o Campeonato Nacional, serão alguns dos desafios.

Após duas qualificações seguidas para a CAN, apurar e passar de fase na próxima edição do evento, serão exigências mínimas dos cabo-verdianos que já não contentam em apenas participar.

Outro desafio que a nova Federação terá, vai ser a qualificação para o mundial, Rússia 2018. Não bastará participar, a qualificação inédita poderá ser exigida pelos adeptos, motivados pelo apuramento em campo para o Play-Off da Copa do Mundo no Brasil e que deixou a ideia de que o País podia ter chegado ao seu primeiro mundial se não fosse o erro de colocar o castigado defesa central Fernando Varela a jogar contra a Tunísia.

A responsabilidade de dirigir os destinos da FCF vai ser enorme e por isso é preciso que cada membro da futura equipa seja consciente do desfio que abraça e esteja muito bem preparado para exercer a função que for eleito. Não é novidade que o trabalho dos eleitos vai ser em regime de voluntariado, portanto que isso não venha servir de desculpa para justificar a não assunção de responsabilidades.

Diante desse novo cenário que está abrindo para o futebol cabo-verdiano, questiono qual a responsabilidade dos Clubes nesse processo? São eles quem compõe a Assembleia das Associações, cujos presidentes das direcções devem limitar a acatar suas decisões e a pó-las em prática.

Os clubes vão deixar a escolha do candidato nas mão do presidente da direcção ou vão convocar assembleia para decidirem o sentido do voto? Vão permitir que presidentes negociem posições pessoais em listas, usando o voto que deveria representar a vontade da maioria dos membros da Associação? E os sócios que são os verdadeiros donos dos clubes, não vão fazer nada?

Espero que resposta a essas questões venham no devido tempo e com acções práticas. Depois das eleições e das pessoas estarem legitimadas nos cargos, não adianta vir com as melhores teses do mundo em redes sociais e chorar pelo leite derramado, se na hora da decisão, você, enfiou a cabeça na areia.

Dos candidatos, espero propostas realistas e com explicações claras de onde vão buscar financiamento para executarem os projectos. É sabido que jogar no continente africano é caríssimo devido ao elevado custo dos transportes. Por exemplo, no apuramento para a CAN 2015, Cabo Verde jogou na Zâmbia uma partida para cumprir calendário, pois já estava apurado e o resultado não alteraria a liderança do grupo.

Para jogar em casa dos zambianos, os Tubarões Azuis saíram da Praia, foram para Lisboa – Portugal, fizeram escala em Franckfurt na Alemanha, atravessaram todo o continente para chegarem a África do Sul e lá pegar um voo para a Zâmbia. Com todo esse trajecto, pare e imagine o custo das passagens, somados as paragens em aeroportos, entre outros.

Diante disso, gostaria de saber por exemplo, como viabilizar a participação de selecção Sub-15, Sub-17 e Sub-20 em eliminatórias para competições africanas, sabendo que os custos com deslocações e alojamento serão praticamente os mesmos. Muitos países participam nessas provas porque estão no continente o que facilita a deslocação de autocarro e reduz os custos.

Um indicador de que os recursos não abundam chegou há poucos dias de Angola, o país irmão que é produtor de petróleo, anunciou o corte nos custos com a selecção principal e não vai participar na Taça COSAFA que já venceu três vezes.

Claro que gostaria de ver Cabo Verde nessas competições, mas sou realista e tenho os pés bem assentes na terra. Se algum candidato fizer essa promessa que junto mostre como vai materializar. O que não pode é criar falsas ilusões nos muitos jovens talentosos que temos no País e na Diáspora, com o único objectivo de ganhar a eleição a todo custo.

Como diz o Batchart na música Xuaaaaa, “Esse koza ené política, entón pakê jôg sujo”.

 

Marcos Fonseca/RCV