Olavo Correia classifica de “boa” a decisão da CGD de vender as suas acções no BCA

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O vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças, Olavo Correia, classifica de “boa” a decisão da Caixa Geral de Depósitos (CGD) de vender as suas acções no Banco Comercial do Atlântico (BCA) em favor da sua manutenção no Banco Interatlântico (BI).

Em declarações à RCV, o governante disse que até que não faz muito sentido, para uma economia como de Cabo Verde, ter um investidor com duas instituições financeiras.

“Esta foi uma decisão do accionista dentro do quadro legal que tem de ser respeitado e o Governo entende que é uma decisão no sentido de o país vir a ter mais um operador no sistema financeiro cabo-verdiano”, disse, adiantando que neste caso várias soluções foram analisadas.

Olavo Correia lembrou que o sistema financeiro cabo-verdianos está em processo de transformação, pelo que considera que a entrada de mais um operador novo trará mais valia para o país.

“Temos um operador novo no Banco Internacional de Cabo Verde (BICV) do Bahrein. As acções da Geocapital estão em processo de alienação a nível da Caixa Económica e agora ao nível do BCA tendo mais um investidor com propensão para o crescimento orgânico, com uma actuação mais agressiva no mercado do crédito, isso só engrandece ao sistema financeiro”, sustentou.

Por outro lado, salientou que esta transformação vai ao encontro daquilo que é a visão do Governo em relação à criação da praça financeira internacional em Cabo Verde.

Olavo Correia adiantou que será um processo tranquilo, em que os interesses dos trabalhadores e dos depositantes serão garantidos.

Na passada sexta-feira, o presidente da comissão executiva da CGD, Paulo Macedo, veio à cidade da Praia para dar a conhecer ao Governo e ao Banco central a decisão do grupo de vender as suas acções no BCA, mantendo a sua posição no BI onde detém 70% do capital.

Paulo Macedo justificou a saída do BCA, mantendo o BI, com o facto do Interatlântico ser um banco de empresas.

“O nosso entendimento é que o BCA é um banco pujante, virado para generalidade da economia cabo-verdiana. É um banco mais virado para dentro, enquanto que o Banco Interatlântico é um banco de empresas que nós queremos que seja cada vez mais virado para fora”, disse Paulo Macedo.

O capital social do BCA ascende a 1.324 milhões e 765 mil escudos e conforme o relatório de 2017 o agrupamento CGD/Interatlântico tem um total de 52,65% do capital, para além de mais 6% que a CGD tem sozinha. A parte restante do capital é subdividida pelo INPS com 12,54%, pela Garantia com 5,76%, a ASA 2,17%, os trabalhadores 2,07% e outros accionistas 18,05%.

Por: Inforpress