O Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) realiza hoje eleições directas, para eleger, ou não, Janira Hopffer Almada, que concorre sozinha ao cargo.

Janira Hopffer Almada recandidata-se com uma moção de estratégia centrada no reforço dos valores de esquerda, na reorganização das estruturas do partido e na fiscalização da governação, depois de ter colocado o lugar à disposição na sequência de três derrotas eleitorais de 2016.

A candidatura foi subscrita por 6.210 militantes, mais 1.210 militantes do que os que subscreveram a primeira candidatura de Janira Hopffer Almada à presidência do partido em 2014.

A liderança de Janira Hopffer Almada é contestada por um grupo de destacados militantes, alguns antigos colegas da presidente do PAICV no Governo liderado por José Maria Neves, que há dois meses apresentaram um ´Manifesto de Militância´ a pedir mais diálogo interno.

Críticos que Janira Hopffer Almada desafiou a apresentarem candidaturas alternativas, o que viria a não se concretizar.

Entre os subscritores do manifesto contam-se o deputado Júlio Correia, os ex-ministros Marisa Morais e Otávio Tavares, além de Felisberto Vieira, antigo autarca da Praia, que em 2014 disputou com Janira Hopffer Almada a liderança do partido.

Desde 2014 na liderança do partido que durante os últimos 15 anos governou Cabo Verde, Janira Hopffer Almada viu em 2016 o PAICV sofrer duas derrotas eleitorais consecutivas.

A vitória, a 20 de Março, por maioria absoluta das eleições legislativas pelo Movimento para a Democracia (MpD), há 15 anos na oposição, foi apenas o início de um «annus horribilis» para o Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV).

As propostas protagonizadas por Janira Hopffer Almada, a primeira mulher a liderar um partido político em Cabo Verde, não conseguiram mobilizar um eleitorado descrente após 15 anos de governos maioritários do PAICV.

O cenário de derrota viria a repetir-se nas eleições autárquicas de 04 de Setembro, com o PAICV a conseguir segurar apenas duas das oito câmaras que liderava e o MpD a reforçar a sua presença, então já quase hegemónica no poder local cabo-verdiano.

A fechar o ano eleitoral, o PAICV falhou a intenção de apresentar um candidato próprio às eleições presidenciais.

Para as eleições directas de hoje estão inscritos 34.720 militantes, mais 2.205 do que nas directas de 2014.

O congresso do PAICV está marcado para os dias 17, 18 e 19 de Fevereiro e deverá contar com a participação de 230 delegados.

Fonte: Lusa