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Parlamento de Cabo Verde cumpre minuto de silêncio por estudante que foi morto em Portugal

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O parlamento de Cabo Verde recordou hoje o caso do estudante cabo-verdiano que morreu após alegadas agressões em Bragança, pedindo que se faça justiça e acabando os deputados por cumprir um minuto de silêncio.

A posição, pedindo que a “Justiça seja feita”, foi levantada na Assembleia Nacional pelo deputado do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição) Francisco Pereira, no segundo dia de trabalhos da primeira sessão parlamentar de 2020.

“Tendo em conta os laços históricos e de cooperação que marcam as nossas relações com Portugal, devemos agir com inteligência, dando vez à diplomacia, com serenidade e responsabilidade, assumindo plena disponibilidade de colaboração com as autoridades, para garantir que todos os esforços necessários sejam empreendidos com vista ao pleno esclarecimento dos factos e para a condizente justiça que o caso requer”, afirmou o deputado do PAICV.

Em 21 de dezembro de 2019, o estudante cabo-verdiano do Instituto Politécnico de Bragança (IPB) Luís Giovani dos Santos Rodrigues terá sido agredido por vários homens à saída de uma discoteca da cidade.

Transportado para o Hospital de Santo António, no Porto, o estudante de 21 anos acabou por morrer em 31 de dezembro.

O caso está a ser investigado pela Polícia Judiciária portuguesa.

Deputados do Movimento para a Democracia (MpD) levaram o caso igualmente ao parlamento, lamentando o sucedido e aguardando por explicações das autoridades portuguesas.

Foi o caso do deputado Carlos Lopes, eleito pelo MpD pela ilha do Fogo (de onde o estudante era natural) e antigo professor de Luís Giovani no ensino secundário em Cabo Verde: “Peço que a Justiça seja feita e que todos nós, cabo-verdianos, mas particularmente as entidades, nos unamos para que a Justiça seja célere e efetiva”.

O deputado afirmou mesmo que “malfeitores” impediram Luís Giovani de concretizar o sonho de terminar o curso e ter uma carreira na música.

O Governo de Cabo Verde e o Presidente cabo-verdiano, Jorge Carlos Fonseca, já tornaram público que estão a acompanhar este caso, aguardando por um esclarecimento célere das autoridades portuguesas sobre o incidente.

Na sua intervenção no parlamento, à qual se seguiu um minuto de silêncio — permitida pelo presidente do parlamento, Jorge Santos, apesar de alegar que não estar regimentalmente previsto -, o deputado Francisco Pereira exortou as autoridades de Cabo Verde “a acompanhar de perto as justas manifestações de repúdio e de indignação dos cabo-verdianos no país e na diáspora”.

“E com todo o sentido de Estado, transmitir a confiança e lançar um genuíno apelo à tolerância, à sã convivência entre as pessoas e ao respeito pelas diferenças, aliás neste mundo cada vez mais globalizado e multicultural, devemos sempre cultivar os valores do humanismo, da paz e da tolerância”, apontou.

Em declarações na segunda-feira aos jornalistas no Palácio da Ajuda, em Lisboa, o diretor da Polícia Judiciária (PJ), Luís Neves, garantiu o empenhamento na descoberta dos “autores das agressões”, apesar de estar a investigar o crime “há muito poucos dias”.

O jornal Público noticiou que a PJ aponta para “um motivo fútil” e afasta a tese de ódio racial associada à morte do estudante cabo-verdiano, nomeadamente nas redes sociais.

O diário indica também que “a autópsia foi inconclusiva, não esclarecendo se a morte foi provocada pela agressão ou pela queda” na rua, onde o jovem foi encontrado inanimado.

O caso chegou às autoridades de Bragança como um possível alcoolizado caído na rua sem menção a agressões ou ferimentos, disse à Lusa o 2.º comandante dos bombeiros de Bragança, Carlos Martins.

Só depois de chegar ao local e avaliar a vítima é que a equipa de emergência descobriu um ferimento na cabeça e “verificou que se tratava de um possível traumatismo craniano”, indicou.

Luís Giovani era natural da ilha cabo-verdiana do Fogo, tendo o município de Mosteiros publicado uma nota sobre a sua morte, recordando que tinha viajado em outubro para Bragança, “para seguir o curso de Design de Jogos Digitais” no IPB.

“Giovani era um dos mais promissores artistas de Mosteiros, tendo-se destacado na banda Beatz Boys, um grupo integrado por jovens formados pela paróquia de Nossa Senhora da Ajuda e artistas oriundos do agrupamento De Martins”, lê-se na mesma mensagem da Câmara Municipal de Mosteiros.

Por: Lusa