PM de Cabo Verde justifica novo aval à TACV para assegurar continuação

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O primeiro-ministro cabo-verdiano, Ulisses Correia e Silva, justificou hoje o novo aval do Estado de 2,2 milhões de euros à TACV com a necessidade de criar as condições para que a transportadora aérea possa continuar.
 

“O Estado concede aval à TACV assim como concede aval a outras companhias e a outras empresas do setor privado”, começou por afirmar o chefe do Governo, ao ser questionado, na cidade da Praia, à margem do arranque de um fórum sobre a formação técnica e profissional.

Na sexta-feira, o Governo cabo-verdiano divulgou mais um aval do Estado, desta vez de 2,2 milhões de euros, à Transportes Aéreos de Cabo Verde (TACV), para apoiar a tesouraria e continuar as operações e atividades previstas para este ano.

Sobre mais esta garantia, o primeiro-ministro alertou que, tal como em 2016, o Governo tem duas opções, em que ou liquida a companhia ou cria condições para que possam continuar a funcionar.

“Não esquecendo nunca que, assim como várias outras companhias do mundo, ainda estamos a sofrer as consequências da pandemia, que foram extremamente impactantes nos transportes aéreos”, salientou Correia e Silva, notando que muitos outros Governos injetaram milhões de euros para sustentar as suas companhias aéreas.

“Aqui em Cabo Verde às vezes queremos uma coisa e o seu contrário, queremos manter a empresa, mas, ao mesmo tempo, não queremos que haja injeção de recursos e não queremos que haja avais. É preciso ter esse quadro muito claro, e anda-se a contabilizar avais relativamente à TACV”, explicou.

Segundo uma resolução governamental publicada em Boletim Oficial, a TACV recorreu a um empréstimo bancário junto da Caixa Económica de Cabo Verde (CECV), no montante de 250 milhões de escudos (2,2 milhões de euros) “para apoio à sua tesouraria permitindo a continuidade das operações e atividades previstas para o corrente ano de 2022”.

Em fevereiro, o Governo cabo-verdiano tinha atribuído outro aval para um empréstimo de 1,5 milhão de euros à TACV, face a “necessidades de emergência”, como o pagamento de salários.

Em março de 2019, o Estado de Cabo Verde vendeu 51% da TACV por 1,3 milhões de euros à Loftleidir Cabo Verde, empresa detida em 70% pela Loftleidir Icelandic EHF (grupo Icelandair, que ficou com 36% da Cabo Verde Airlines — nome comercial da companhia) e em 30% por empresários islandeses com experiência no setor da aviação (que assumiram os restantes 15% da quota de 51% privatizada).

Entretanto, a companhia foi renacionalizada em julho de 2021, alegando vários incumprimentos na gestão, tendo retomado os voos apenas em dezembro do ano passado.

No parlamento cabo-verdiano está a decorrer uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) à privatização (2019), renacionalização (2021) da TACV e à saída da companhia do mercado doméstico (2017).

O Estado cabo-verdiano vai injetar anualmente mil milhões de escudos (9,1 milhões de euros) na TACV nos próximos três anos, para garantir a estabilidade e recuperação da companhia aérea, antes de a reprivatizar em 2024, anunciou em setembro o ministro Carlos Santos.

Por: Lusa