Porque todos são ‘Charlie’ e ninguém é ‘Vicente’

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Charlie vs Vicente – Um olhar na perspectiva do Marketing

Porquê esta tragédia (Charlie) teve essa repercussão na Internet? Como esse processo acontece? E em ultima instância, porquê o nosso Vicente não incentivou, de nós crioulos, a mesma expressa “indignação Facebookiana”?

Bom, para inicio de conversa, obviamente não somos todos Charlie, obviamente não temos todos os colhões de Charlie. A grande maioria de nós sequer levanta a voz contra abusos do status quo aqui na tapadinha, imaginem satirizar a tudo e todos, imaginem satirizar a religião Muçulmana, com as previsíveis consequências que isso acarreta.

Dito isto, tenho vindo, há já algum tempo, pesquisando e tentando entender sobre a razão porque compramos – Why we buy? E o que venho descobrindo, mais precisamente o conceito de Imitação (como se dá esse processo no cérebro) nos dá uma luz sobre as questões levantadas acima.

Imagine uma mulher passeando no shopping, ela vê a manequim, esbelta, confiante, relaxada, sexy… “Eu podia ser como ela, eu poderia ser ela, se apenas tivesse essas roupas”. Consciente ou inconscientemente, isso é o que o seu cérebro está lhe dizendo (existem estudos neurológicos que suportam esta teoria). Antes de se dar conta, está dentro da loja de cartão de crédito na mão.

Já lhes aconteceu ver um par de sapatos e achar ridículo e após um tempo, vendo todos usando o modelito, pensar: “tenho que comprar um destes”? Pois…

Uma explicação possível dessa “onda” Je Suis Charlie no Facebook é que quando vemos pessoas colocando a imagem (Je Suis Charles) online, consciente ou inconscientemente, o nosso cérebro nos está dizendo: eu também sou humano, eu também não tolero a injustiça aqui ou em qualquer parte do mundo, eu também posso ser Charlie… se pelo menos puder colocar uma imagem “Je Suis Charlie” no meu perfil.

O conceito de imitação tem um grande poder na nossa decisão de comprar ou não comprar um produto, de preferir uma empresa em detrimento de outra, de ser ou não ser Charlie…

Quanto ao Vicente…

Uma explicação do “insucesso Facebookiano” do Vicente é que muito pouca gente disse: Eu sou Vicente. O que a maioria fez foi se posicionar como “não Charlie”, e usou o Vicente como bode expiatório.

Caso alguém tivesse lembrado de liderar um movimento – de repente o denominando “Vicente para sempre”- sem o acoplar ao Charlie, certamente a grande maioria de nós teria “imitado”, afinal, nós também sentimos estas perdas, nós também choramos “no banheiro” com tamanha dor, nós também somos, “Vicente para sempre”… se pelo menos pudermos expressar, também, essa dor no Face.

 

Vadini Ferreira