Portugal detém 33% da dívida externa de Cabo Verde e CGD é o maior credor individual

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A dívida pública cabo-verdiana contraída externamente aumentou 1% no primeiro trimestre de 2021, para 1.684 milhões de euros, dos quais 33% a Portugal, nomeadamente à Caixa Geral de Depósitos (CGD), o maior credor individual do arquipélago.

De acordo com um relatório do Ministério das Finanças de Cabo Verde com dados sobre a dívida externa no primeiro trimestre, entre financiamentos bilaterais (Estado a Estado), multilaterais (através de organizações internacionais, como o Fundo Monetário Internacional, Banco Mundial ou Banco Africano de Desenvolvimento) ou junto de bancos comerciais, esse ‘stock’ subiu para 195,5 mil milhões de escudos (1.684 milhões de euros).

Desse total, mais de 64,5 mil milhões de escudos (584 milhões de euros) dizem respeito ao total da dívida a Portugal, entre financiamento bilateral e comercial, e que não teve qualquer incremento no primeiro trimestre.

Entre todos os credores externos, Cabo Verde tem o maior endividamento individual junto da Caixa Geral de Depósitos, que ascendia no final de março a praticamente 40,9 mil milhões de escudos (370 milhões de euros).

A nível bilateral, depois de Portugal, com uma dívida superior a 15 mil milhões de escudos (135,8 milhões de euros), surge o Japão, com mais de 8,6 mil milhões de escudos (77,9 milhões de euros), e a França, através da Agência Francesa de Desenvolvimento, com 5,5 mil milhões de escudos (50 milhões de euros), enquanto a dívida à China ronda os três mil milhões de escudos (27 milhões de euros) e a um fundo saudita mais de 1,7 mil milhões de escudos (15,4 milhões de euros).

Os Presidentes de Portugal e Cabo Verde assumiram em 17 de maio que estão a ser dados passos para resolver a dívida cabo-verdiana, anunciando que o assunto será fechado após uma reunião entre os ministros das Finanças dos dois países.

O assunto foi abordado durante a reunião que o Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, manteve na visita a Cabo Verde com o homólogo cabo-verdiano, Jorge Carlos Fonseca, embora sublinhando ambos tratar-se de um assunto da esfera dos governos.

O chefe de Estado de Cabo Verde reconheceu que o tema da dívida é um elemento “importante da cooperação” entre os dois países, esperando uma resolução para breve.

“Está prevista até uma reunião entre os ministros das Finanças dos dois países para se ocuparem da questão da reorientação do pagamento da dívida, que pode passar pelo perdão, total ou parcial, ou conversão também de parte significativa dessa dívida em investimentos com a participação de empresas portuguesas”, disse Jorge Carlos Fonseca.

Referindo-se ao mesmo assunto, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que nesta “cooperação financeira estão a ser dados passos muito importantes” para “resolver de forma satisfatória para os dois países” o que descreveu como um tema “pendente”.

“Nem digo contencioso, é uma questão pendente, de uma forma que seja boa para Cabo Verde e que seja importante para Portugal (…) Também aí estão a ser dados passos importantes para uma solução que não demorará muito tempo”, adiantou Marcelo Rebelo de Sousa.

O Presidente português reuniu-se ainda com o primeiro-ministro de Cabo Verde, Ulisses Correia e Silva, que deixou a garantia sobre uma solução para a dívida cabo-verdiana, nomeadamente os 200 milhões de euros com que Portugal financiou (através da CGD) o programa implementado pelo Governo anterior “Casa para todos”, de habitação social construída por empresas portuguesas e que deveria começar a ser paga este ano.

“Nós já andamos a trabalhar desse dossiê há algum tempo”, recordou Ulisses Correia e Silva aos jornalistas, reconhecendo avanços recentes nas negociações e enaltecendo o papel de Portugal, que desde 2020, devido à pandemia, concedeu uma moratória ao pagamento do serviço da dívida de Cabo Verde.

“Estamos todos interessados em avançar mais e fazer com que a liderança portuguesa também seja contagiante relativamente aos outros países e credores, porque o custo extraordinário e excecional da covid-19 para um país como Cabo Verde é enorme, não há poupanças eternas e nenhum país está preparado para fazer face a estes custos sem apoios suplementares. É isso que nós esperamos para que a nossa dívida possa entrar num nível de sustentabilidade e possa depois limpar aquilo que são custos excecionais derivados da covid-19”, apontou.

Por: Lusa