Processo treino – Joel de Castro

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É no treino, e no conjunto deles, que se desenvolve as competências necessárias para que no dia de jogo a equipa desenvolva de uma forma organizada tudo o que se trabalha no dia-a-dia. Vejo o treino como o factor principal para se atingir o objectivo inicial proposto pois é aqui que se explora de forma individual ou colectiva nos vários aspectos o que se pretende da equipa e dos jogadores.

 

Todos estes aspectos juntos dia após dia, semana após semana vão criar a forma de jogar que caracteriza a equipa Y ou X, forma-se assim um modelo próprio. Este é nada mais nada menos que a ideia do treinador juntamente com a qualidade individual dos jogadores. Os jogadores são fundamentais em toda a elaboração do processo treino pois é essencial saber adaptar o treino á dimensão e qualidade dos jogadores que se tem á disposição. A adaptabilidade em função do que se tem e do ambiente envolvente caracteriza muito uma ou outra forma de trabalhar.

Tudo tem que se ter em conta quando se planeia o treino e o seu conjunto. É importante saber também que a planificação e o próprio processo esta em constante evolução e serve apenas como linha base porque as condicionantes ao longo de uma época desportiva obrigam a que as alterações existam, e elas têm que existir mesmo, porque cada caso é um caso. E queremos sempre atingir o máximo da nossa performance, sabendo que o máximo é sempre o que procuramos, não podendo ficar nunca satisfeitos porque o máximo não existe em futebol.

Entre os aspectos técnicos, tácticos, físicos e psicológicos, quanto a mim, não existe hierarquias pois todos eles são extremamente importantes, uteis e essenciais para a prática do futebol e construção do modelo pretendido. Dividindo e tendo em base a fase da época em que um aspecto ou outro sobressai mais sobre o outro eles, no meu ver, devem estar sempre em sintonia na planificação de cada exercício no plano de treino. Devemos então ter em conta alguns aspectos a trabalhar, assim como por exemplo, na componente técnica: passe, recepção, controle, conclusão, remate, drible e finta. Na componente táctica individual: desmarcação, intercepção, marcação, na componente táctica colectiva: fora de jogo, basculação, transições defensivas e ofensivas e movimentações. Na componente física: resistência aeróbia e anaeróbia, velocidade de reacção, aceleração e máxima, força explosiva e máxima e flexibilidade. Na componente psicológica: Atenção, motivação, personalidade e atitude.

Não podendo o treinador ter um controlo total das acções no dia do jogo devido ao seu imprevisto, o treinador pode ter total controlo na escolha e elaboração dos exercícios que quer e fazer com isto que os jogadores assimilem a ideia e ganhem as competências necessárias para que no dia do jogo estejam aptos a agir consoante todos os imprevistos que neste dia possam ocorrer. Então sendo assim, deve treinar-se o jogo e arranjar formas e métodos que faça o treino o mais parecido com as acções do jogo em si. Pois a grande diferença entre treino e jogo são os factores externos: clima, publico, arbitro e terreno de jogo e quanto a estes apenas se pode usar o próprio jogo como preparação para um próximo.

Digo com estas palavras que a evolução de uma época é um treino constante onde cada passo dado é uma aprendizagem e todos os momentos são fundamentais, desde o primeiro treino da época até ao último. Afirmo assim que o processo treino é a época inteira, treinando do simples para o complexo, em constante evolução.

 

 

 

 

 

 

Joel de Castro