Regresso do avião da CVA a Cabo Verde antes das eleições foi “coincidência” – Presidente

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O presidente da Cabo Verde Airlines (CVA), Erlendur Svavarsson, afirmou hoje que o avião da companhia que regressou ao arquipélago, um ano depois, fê-lo após reunidas as condições e que a proximidade das eleições “foi coincidência”.

Em entrevista à Lusa na cidade da Praia, aonde regressou na quarta-feira, da Islândia, Erlendur Svavarsson relativizou o facto de acontecer a quatro dias das eleições legislativas de domingo, numa campanha eleitoral que tem discutido o futuro da companhia aérea de bandeira.

O Boeing-757 D4-CCG “Baía de Tarrafal” aterrou no aeroporto internacional da capital mais de um depois de ter sido colocado em situação de armazenamento no exterior do país com a suspensão dos voos devido à pandemia de covid-19.

“É uma absoluta coincidência [proximidade às eleições de 18 de abril]. Estou muito contente que tenhamos conseguido trazer a aeronave para cá e isso não teria sido possível sem a grande colaboração do Governo, dos acionistas e da AAC [Agência da Aviação Civil, cujos técnicos estiveram na Islândia a certificar a aeronave]. Não podemos esquecer que as centenas de trabalhadores da CVA estavam à espera há um ano pelo regresso da aeronave”, afirmou Erlendur Svavarsson.

Em março de 2019, o Estado de Cabo Verde vendeu 51% da então empresa pública TACV (Transportes Aéreos de Cabo Verde) por 1,3 milhões de euros à Lofleidir Cabo Verde, empresa detida em 70% pela Loftleidir Icelandic EHF (grupo Icelandair, que ficou com 36% da CVA) e em 30% por empresários islandeses com experiência no setor da aviação (que assumiram os restantes 15% da quota de 51% privatizada).

Este modelo de negócio para a companhia aérea é bandeira do Governo liderado por Ulisses Correia e Silva (Movimento para a Democracia), que se recandidata ao cargo de primeiro-ministro nas eleições de domingo, mas o regresso da aeronave à Praia tem sido criticado pela oposição, pelo alegado aproveitamento eleitoral.

“Trouxemos a aeronave logo que foi possível e tão logo que foi comercialmente viável”, insistiu Erlendur Svavarsson.

“Acredito que o regresso do avião a Cabo Verde representa um passo significativo para o relançamento das operações da CVA. É um marco para a economia cabo-verdiana e para o turismo para o arquipélago”, sublinhou.

A CVA operava antes da pandemia com três aviões Boeing 757-200ER fornecidos em regime de ‘leasing’ pelo grupo Icelandair, que lidera a companhia cabo-verdiana, e todos foram deslocados em março de 2020 para Miami, Estados Unidos da América (EUA), colocados em situação de armazenamento devido à suspensão de toda a atividade comercial.

Entretanto, o Boeing com a matrícula D4-CCG, batizado com o nome de “Baía de Tarrafal”, foi deslocado em 12 de março para o aeroporto de Keflavik, na Islândia, e agora para Cabo Verde. O mesmo aconteceu em 20 de dezembro passado com o Boeing com a matrícula D4-CCH, batizado “Fontainhas”.

A companhia vai passar a operar com dois Boeing 757 e a segunda aeronave vai permanecer “em manutenção” fora de Cabo Verde, regressando apenas antes da retoma das operações.

“Não há nenhuma data fixa porque estamos à espera para ver quando há condições para retomar as operações, em função das restrições governamentais em cada país e das taxas de vacinação”, sublinhou o presidente da CVA.

O responsável afirmou que a companhia prepara a retoma de voos para a Europa e os EUA, mas sem se comprometer com prazos, que faz depender ainda do processo global de vacinação contra a covid-19.

“Cabe aos países abrir as fronteiras, permitir que os cidadãos viagem, mas nós queremos estar preparados, agora, um ano depois da pandemia, para retomar as operações mal as fronteiras reabram”, assumiu ainda.

Garantiu que a companhia está preparada para retomar as operações, mas também admite que poderá levar algum tempo até que a CVA volte a receber passageiros, algo que não acontece desde março de 2020, quando a atividade foi totalmente suspensa.

“O primeiro voo será como todos os outros antes a partir do nosso ‘hub’ na ilha do Sal, a ligar quatro continentes. Quando é que isso vai acontecer será determinado por fatores externos, mas não prevejo muito turismo, em qualquer sítio do mundo, até ao terceiro trimestre, possivelmente até ao quarto trimestre deste ano”, disse Erlendur Svavarsson.

“Depende da vacinação, da reabertura das fronteiras. Se nos permitirem voar para os Estados Unidos, voaremos para os Estados Unidos. Se já não houver um confinamento em França ou Itália, poderemos considerar viajar para lá, e o mesmo para Portugal”, concluiu.

Por: Lusa