Remessas enviadas para Cabo Verde já aumentaram quase 40% em 2021

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As remessas enviadas pelos emigrantes cabo-verdianos para o arquipélago já cresceram quase 40% em 2021, até setembro, para quase 20.718 milhões de escudos (187,5 milhões de euros), segundo dados do banco central.

De acordo com dados compilados hoje pela Lusa a partir de um relatório deste mês do Banco de Cabo Verde, o resultado nos primeiros nove meses do ano foi impulsionado pelas remessas enviadas em julho, um recorde de quase 2.938 milhões de escudos (26,5 milhões de euros) num único mês.

De janeiro a setembro de 2020, os emigrantes cabo-verdianos já tinham aumentado as remessas enviadas para o arquipélago para mais de 14.918 milhões de escudos (135 milhões de euros), que agora cresceram 38,9%, também em nove meses, igualmente em termos homólogos.

Entre o total de remessas em divisas enviadas nos primeiros nove meses de 2021 lideraram as provenientes dos emigrantes cabo-verdianos nos Estados Unidos da América e em Portugal, que totalizaram, respetivamente, 6.301 milhões de escudos (57 milhões de euros) e mais de 5.805 milhões de escudos (52,5 milhões de euros).

A população de Cabo Verde ronda os 500 mil habitantes, mas estima-se que mais de um milhão de cabo-verdianos vivam na Europa e Estados Unidos da América, estando o sistema financeiro do arquipélago dependente das remessas desses emigrantes.

A Lusa noticiou anteriormente que as remessas enviadas pelos emigrantes cabo-verdianos em Portugal caíram quase 14% em 2020, sendo ultrapassadas pelas provenientes de França e dos Estados Unidos da América.

Segundo dados provisórios anteriormente divulgados pelo banco central, as remessas enviadas pelos emigrantes cabo-verdianos para o arquipélago aumentaram globalmente 4,5% de 2019 para 2020, para 20.789 milhões de escudos (187 milhões de euros), passando a ser lideradas pelas provenientes dos Estados Unidos, que dispararam 33%, para mais de 5.982 milhões de escudos (53,8 milhões de euros).

O primeiro-ministro de Cabo Verde, Ulisses Correia e Silva, reconheceu no final de 2020, no parlamento, a importância para a economia nacional das remessas enviadas pelos emigrantes, que continuavam a crescer e representam já 11,3% do Produto Interno Bruto (PIB) cabo-verdiano.

“As contribuições das remessas dos emigrantes têm sido importantes ao longo da história de Cabo Verde. São importantes para as famílias, para o financiamento da economia cabo-verdiana e também demonstra que a confiança tem aumentado, mesmo no período da pandemia”, afirmou.

O governante explicou que as remessas valiam 10,6% do PIB, em média, na legislatura de 2012 a 2015, mas que subiram para 11,3% no período de 2016 a 2019.

“E neste período de pandemia, ao contrário do que estava estimado, tem havido uma evolução positiva, um crescimento de 20% de junho de 2019 a junho de 2020”, destacou, em dezembro, Ulisses Correia e Silva, reforçando a importância destas remessas por continuarem a aumentar, globalmente, apesar das dificuldades económicas que os emigrantes cabo-verdianos também enfrentam nos países onde trabalham, devido à pandemia de covid-19.

Por: Lusa