Restruturação dos campeonatos de Cabo Verde

732

Cabo Verde tem e vai ter sempre a situação geográfica como ponto de entrave na união das diferentes Ilhas a nível desportivo, contudo uma reorganização de forma sustentada poderá ser o passo para uma melhoria do futebol a nível interno. Dos vários campeonatos regionais existentes é raro aquele em que se vê uma competitividade digna de registo. O que se verifica são diferenças muito grandes dos candidatos ao título aos na luta pela permanência.

O factor golear sistematicamente não trás muitos benefícios para o desenvolvimento do futebol, e não existindo competitividade não aumenta o grau de exigência. Não aumentando o grau de exigência a qualidade do jogador não atinge por vezes o potencial que se pretende. Cada ilha tem duas ou três equipas capazes de competir de igual para igual com os grandes das outras ilhas e é esse propósito que se tem que pegar como ponto de partida.

Não havendo condições de organizar um campeonato a nível nacional entre os melhores clubes do país, pergunta-se se não haverá outras maneiras de conseguir elevar um pouco mais a fasquia dos próprios clubes e aumentar assim o nível de exigência e competitividade do próprio jogador tendo sempre como objectivo criar condições para que possam atingir um nível de seleccionáveis para os tubarões azuis. Existe qualidade no jogador Cabo-Verdiano, disso ninguém duvida. Qual a visibilidade de poder mostrar serviço? Nenhuma ou quase nula…quando um campeonato nacional tem apenas 2 meses. É pouco para competir com jogadores que neste momento estão em campeonatos e equipas supercompetitivas e das melhores ligas do mundo. Exemplo de Heldon, Ryan Mendes, Djaniny, Zé Luís e tantos outros.

O povo cabo-verdiano merece melhor organização e restruturação dos campeonatos internos para ter a motivação necessária de se deslocar ao estádio e ver um jogo onde não sabe qual vai ser o desfecho final. Porque o povo ama o desporto rei. Cabo Verde ama o futebol. Parece-me que unir nove Ilhas para disputar um campeonato está fora de questão mas unir duas parece-me bem possível devido á proximidade. Pode existir várias formas de moldar as competições, vários modelos seriam bons, mas é urgente discutir essa ideia com os vários intervenientes e chegar a um consenso para o bem do próprio país e do futebol. Para que com isto se possa evoluir e olhar para o futebol como forma de união das várias ilhas. É importante existir objectivos e neste exemplo modelo que apresento existe sempre um objectivo a alcançar para todos os clubes.

 

Campeonato regional – 11 campeonatos

Cada campeonato será de acesso á divisão de elite correspondente a cada campeonato.

As equipas que subirem de divisão jogam na época seguinte na divisão de elite.

Exemplo da estrutura dos campeonatos regionais da Ilha Brava e Fogo com 6 equipas cada:

Brava

Fogo

Situação

 1 B

1 F

Campeão

  2 B

2 F

Vice

3 B

3 F

4 B

4 F

5 B

5 F

6 B

6 F

Fase de acesso divisão elite

2 F

Sobe de divisão

1 F

2 B

Sobe de divisão

1 B

Os campeões e vice de Brava e Fogo disputam a fase de acesso, 4 equipas, casa e fora.

Sobe de divisão o 1º classificado e o melhor classificado da outra ilha.

 

 

Divisão de elite – 5 Series – A, B, C, D e E

A

Brava e Fogo

B

Santiago Norte, Sul e Maio

C

Boavista e Sal

D

S. Nicolau e S. Vicente

E

Santo Antão Norte e Sul

Exemplo Serie A

1 B

Vai ao campeonato nacional

2 B

Apuramento para taça nacional

3 B

4 F

5 F

Desce para regional

6 F

Desce para regional

 

Taça nacional – Todos os 2ºs classificados menos o 1º melhor que irá disputar o campeonato nacional. Taça com meias-finais e final, casa e fora.

 

Campeonato nacional – 6 equipas

Os campeões das 5 series da divisão de elite e o 2º melhor classificado.

Campeonato entre as 6 equipas, casa e fora.

Disputa-se logo a seguir a terminar os campeonatos da divisão de elite.

 

 

Treinador Joel de Castro