Somália tornou-se num dos lugares mais perigosos do mundo para se ser jornalista

A Somália tornou-se num dos lugares mais perigosos do mundo para se ser jornalista, que são alvo de ataques quer do Al-Shabaab, quer das forças de segurança do governo, concluiu a Amnistia Internacional num relatório ontem divulgado.

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“Uma onda de ataques violentos, ameaças, assédio e intimidação de trabalhadores dos ‘media’ está a transformar a Somália num dos lugares mais perigosos do mundo para se ser jornalista”, afirmou a Amnistia Internacional.

O documento divulgado pela organização internacional de defesa dos direitos humanos relatou a “dramática deterioração” da liberdade de expressão e da liberdade de imprensa, que se tem verificado na Somália desde que o Presidente Mohamed Abdullahi ‘Farmajo‘ tomou posse, em fevereiro de 2017.

Pelo menos oito jornalistas foram mortos no país desde que o Presidente ‘Farmajo‘ tomou posse, cinco dos quais morreram em ataques indiscriminados do Al-Shabaab, dois foram mortos por atacantes não identificados e um foi morto a tiro por um agente da polícia federal.

Segundo o documento, naquele país os jornalistas são alvos de ataques, tanto da Al-Shabaab, como das forças de segurança do governo, de um aumento da censura e de prisões arbitrárias, o que já levou oito profissionais a fugirem do país.

“Os jornalistas somalianos estão cercados. (…) São baleados, espancados e presos arbitrariamente. Os jornalistas estão a trabalhar em condições horríveis”, disse Deprose Muchenadiretora da Amnistia Internacional para a África Oriental e Austral.

E “esta repressão ao direito à liberdade de expressão e à liberdade dos ‘media’ está a acontecer impunemente, porque as autoridades dificilmente investigam ou processam os perpetradores de ataques a jornalistas”, acrescentou.

Neste contexto, a Amnistia Internacional exortou, no relatório, o Governo “a respeitar, proteger, promover e cumprir o direito à liberdade de expressão e à liberdade dos ‘media’ antes, durante e depois das eleições, previstas para 2021” naquele país.

A organização apelou a que as autoridade do país criem um ambiente “propício e seguro” para que os profissionais dos meios de comunicação social possam relatar questões sensíveis e do interesse público.

Desde finais de 2017, a liberdade de imprensa na Somália tem vindo a ser suprimida pelas forças de segurança e oficiais do Governo Federal da Somália, pelas autoridades dos estados regionais e pelo grupo armado Al-Shabaab.

O relatório documentou alegações de ameaças, assédio e intimidação aos ‘media’, incluindo ataques físicos, assassinatos e tentativas de assassinato de jornalistas, inclusive com carros armadilhados com explosivos, prisões arbitrárias, assédio e intimidação de jornalistas e outros críticos, bem como restrições no acesso à informação.

Além disso, documentou novas técnicas usadas pelas autoridades para subornar os meios de comunicação para que usem a auto censura.

Tudo com o objetivo de obterem por parte dos meios de comunicação social uma cobertura positiva dos acontecimentos.

O assédio ‘online’, a intimidação e a manipulação dos meios de comunicação social são outros dos meios utilizados na Somália para controlar a informação.

Por: Lusa