Subsídios de desemprego em Cabo Verde recuam a níveis anteriores à pandemia

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O número de beneficiários de subsídio de desemprego em Cabo Verde desceu em março para 231, recuando a números anteriores à pandemia de covid-19, segundo dados do Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) consultados hoje pela Lusa.

De acordo com o relatório de março do INPS, praticamente metade (111) dos beneficiários do subsídio de desemprego naquele mês eram da ilha do Sal, a mais turística do arquipélago e fortemente afetada economicamente pela ausência de turismo no último ano, devido à pandemia de covid-19.

O registo de 231 subsídios de desemprego em março de 2021 compara com os 290 em março, 275 em fevereiro e 241 em janeiro, de 2020, antes dos efeitos económicos da pandemia.

Em março deste ano, o INPS, instituto público que gere as pensões e subsídios em Cabo Verde, registou a oitava queda mensal consecutiva, depois do pico de 1.244 desempregados a receber subsídio em julho passado.

Nos primeiros três meses do ano, o INPS gastou mais de 14,5 milhões de escudos (132 mil euros) com a atribuição de subsídios de desemprego.

Mais de 40% dos trabalhadores que perderam o emprego em Cabo Verde em 2020, durante a pandemia de covid-19, são da ilha do Sal, segundo dados anteriores do INPS sobre as medidas de mitigação da pandemia.

De acordo com os mesmos dados, de 01 de abril a 31 de dezembro de 2020 foram atribuídos 1.947 subsídios de desemprego em todo o arquipélago, no valor global de quase 110 milhões de escudos (um milhão de euros).

Desse total, 810 subsídios de desemprego foram atribuídos na ilha do Sal (41,6%), precisamente a mais turística do arquipélago, setor que desde finais de março está praticamente parado, devido às restrições impostas com a pandemia de covid-19.

O Produto Interno Bruto (PIB) de Cabo Verde depende em 25% do turismo, com um recorde de 819 mil turistas em 2019, mas parado desde a pandemia, provocando uma queda superior a 60% durante o ano de 2020.

O vice-primeiro-ministro de Cabo Verde, Olavo Correia, admitiu em 06 de janeiro, no parlamento, que a retoma económica no país durante 2021 será lenta, com o Governo a querer facilitar o acesso à atribuição de subsídio de desemprego, como medida mitigadora.

“Nós queremos que neste quadro de progressiva recuperação haja cada vez menor adesão, como é evidente”, afirmou Olavo Correia, que é também ministro das Finanças, referindo-se ao acesso cada vez mais restrito ao regime simplificado de ‘lay-off’, implementando desde abril de 2020 igualmente como medida mitigadora das consequências económicas da pandemia.

Por: Lusa