Aviões da companhia aérea portuguesa TAP sofreram cinco incidentes com aves (‘bird strikes’) no aeroporto da Praia em 2021, mas a presidente da companhia admite que as medidas adotadas pelas autoridades cabo-verdianas melhoraram a situação.
 

“Este ano, até agora, a situação está a ser completamente diferente relativamente a incidentes”, afirmou a presidente executiva da TAP, Christine Ourmières-Widener, questionada pela Lusa à margem de uma visita que está a fazer à capital cabo-verdiana.

“Tivemos cinco incidentes de ‘bird strikes’ no ano passado, por isso estamos preocupados. Como sabem, segurança é sempre uma prioridade e tem que ser analisada em detalhe”, disse.

Embora sem detalhar, Christine Ourmières-Widener reconheceu que após um “diálogo construtivo” entre o regulador do setor aeronáutico e a administração do aeroporto da Praia foi possível constituir uma “ligação direta” e aplicar medidas de mitigação desta situação, não tendo sido registado qualquer caso em 2022.

A Lusa noticiou anteriormente que as companhias aéreas registaram 34 incidentes envolvendo pássaros e aeronaves em dois anos em Cabo Verde, tendo o regulador reconhecido que a situação afeta “com particular incidência” o aeroporto da capital.

Segundo dados da Agência de Aviação Civil (AAC) cabo-verdiana consultados em fevereiro pela Lusa, a maior parte dos 34 eventos, notificados pelas operadoras de transporte aéreo entre 2019 e o primeiro semestre de 2021, ocorreram no Aeroporto Internacional Nelson Mandela, na Praia e desses casos, um total de 11 “foram efetivamente de ‘bird strike'” ou impacto com aves.

A companhia portuguesa TAP teve dois aviões danificados por incidentes deste tipo só em 2021 e o regulador do setor aéreo reconheceu que o problema deveria ter uma solução alargada.

“A diminuição do impacto de pássaros com as aeronaves, envolve uma participação alargada de atores, desde os habitantes da vizinhança dos aeroportos, passando pela comunidade aeronáutica, e pelos decisores públicos. Aqui, o papel do Ministério do Ambiente, das autarquias locais, das universidades e centros de pesquisa é igualmente determinante. O fim último é impedir acidentes que possam fazer vítimas, inclusive ceifar vidas humanas”, alertou a AAC.

Cabo Verde tem quatro aeroportos internacionais, nas ilhas de Santiago, do Sal, da Boa Vista e de São Vicente, e três aeródromos, nas ilhas de São Nicolau, Maio e Fogo, todos operados pela empresa pública ASA.

Nas últimas semanas têm sido vistas nas imediações da pista do aeroporto da Praia equipas de trabalhadores aeroportuários a afastarem bandos de aves, enquanto no perímetro exterior é habitual a presença de dezenas de cabeças de gado.

A AAC alertou no mês passado que a presença de pássaros nas imediações dos aeroportos constitui um “sério problema de segurança aeronáutica” e pede o apoio da população, sobretudo aqueles que moram nas imediações dos aeroportos e aeródromos, evitando criar animais em casa e terrenos próximos, as atividades de pastoreio nas imediações e zonas de servidão aeroportuárias, evitando ainda “despejar lixo ao ar livre”, para travar a “proliferação de insetos e pássaros”.

A Lusa noticiou em 15 de junho de 2021 que um avião da TAP sofreu naquela madrugada, no aeroporto internacional da Praia, o embate de uma ave num dos motores, o segundo caso do género em menos de um mês na capital cabo-verdiana, obrigando ao cancelamento do voo.

Questionada então pela Lusa, fonte oficial da companhia aérea portuguesa TAP confirmou que o incidente, na sequência do “embate de uma ave com um dos motores do avião que iria realizar o voo Praia–Lisboa”.

Fonte oficial da TAP já tinha confirmado anteriormente à Lusa que em 23 de maio, igualmente durante a aterragem no aeroporto da Praia, “verificou-se um embate de uma ave com um avião, na zona do trem de aterragem dianteiro, sem danos visíveis”.

Por: Lusa