Tráfego aéreo controlado por Cabo Verde aumentou mas ainda é metade de 2020

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Os voos controlados pela FIR Oceânica do Sal aumentaram para 1.653 em março, um crescimento superior a 200 face a fevereiro, mas uma quebra de 51% em termos homólogos, segundo dados da empresa pública cabo-verdiana ASA.

De acordo com um boletim de tráfego da empresa pública Aeroportos e Segurança Aérea (ASA), ao qual a Lusa teve hoje acesso, trata-se da primeira subida mensal de 2021 e que compara com o último mês anterior ao início dos principais efeitos da pandemia de covid-19 (março de 2020).

Desde abril (mínimo histórico de 512 sobrevoos) que o tráfego aéreo controlado pela FIR (região de informação de voo) Oceânica do Sal crescia todos os meses, até cair de dezembro para janeiro (para 1.838) e depois de janeiro para fevereiro (1.424), dois meses marcados pela reposição das restrições nas viagens internacionais, sobretudo nos países europeus, com novas vagas da pandemia.

Os 1.653 voos internacionais controlados por Cabo Verde em março comparam com os 3.366 sobrevoos no mesmo mês de 2020 (-51%) e os 4.852 em 2019.

No acumulado do primeiro trimestre lideram a portuguesa TAP, com 838 sobrevoos controlados por Cabo Verde, com uma quota de 17% e uma quebra homóloga de 62%, e a espanhola Iberia, com 537 sobrevoos, uma quota de 10,9% e uma quebra homóloga 48%.

A gestão desta FIR é uma das principais fontes de receitas do setor aeronáutico de Cabo Verde. Os rendimentos da ASA com o setor da navegação aérea cresceram 19% de 2017 para 2018, para 2.945 milhões de escudos (26,6 milhões de euros), o equivalente a 43% de todas as receitas da empresa pública que gere os aeroportos do país.

A FIR corresponde a um espaço aéreo delimitado verticalmente a partir do nível médio do mar, sendo a do Sal – que existe desde 1980 – limitada lateralmente pelas de Dakar (Senegal), Canárias (Espanha) e Santa Maria (Açores, Portugal).

Toda esta área está sob jurisdição das autoridades aeronáuticas cabo-verdianas, tendo a FIR sido criada em 1980.

A localização estratégica da FIR do Sal coloca-a “na encruzilhada dos maiores fluxos de tráfego aéreo entre Europa e a América do Sul e entre a África Ocidental e a América do Norte e Central e as Caraíbas”, explicou anteriormente a ASA.

O pico histórico mensal do movimento na FIR Oceânica do Sal registou-se em julho de 2019, com um total de 5.424 aeronaves controladas, equivalente a 175 sobrevoos diários.

O Centro de Controlo Oceânico do Sal funciona no Aeroporto Internacional Amílcar Cabral, na ilha do Sal, tendo sido inaugurado em 24 de junho de 2004.

Por: Lusa