Trump autoriza uso de armas contra migrantes na fronteira com o México

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O Presidente dos Estados Unidos recomendou aos militares que considerem eventuais pedras atiradas pelos migrantes “como espingardas” e, como tal, que recorram às armas de fogo. Duas caravanas com milhares de migrantes da América Latina estão prestes a chegar aos Estados Unidos, que para os conter enviaram 15 mil militares para a fronteira com o México. Donald Trump, que endureceu o discurso e medidas anti-migração nos últimos dias, avisa que quem quiser asilo terá de o pedir pelas vias legais.

“Se eles quiserem atirar pedras aos nossos militares, os nossos militares vão ripostar (…) Eu disse-lhe para verem isso como espingardas. Quando atirarem pedras como à polícia militar, no México, digo para verem isso como espingardas”, declarou Donald Trump, aos jornalistas, na Casa Branca.
 

O Presidente norte-americano aludia ao episódio de violência que ocorreu na fronteira da Guatemala com o México, em que foram atiradas pedras e garrafas de vidro à polícia. O Governo da Guatemala lamentou que o grupo preferisse a violência e tivesse perdido uma oportunidade de diálogo.

Já o ministro do Interior do México prefere a expressão “êxodo migratório” em detrimento da palavra “caravana”, uma vez que as pessoas vistas por Donald Trump como “invasores” foram da fome e da violência nos seus países. 

 

Três caravanas com pelo menos seis mil migrantes oriundos de vários países da América Latina, como Honduras, El Salvador, Nicarágua e Guatemala, estão a caminho dos Estados Unidos. Estão a atravessar o México, depois de uma caminhada de vários dias, com o intuito de procurar uma vida melhor.
Trump endurece discurso

O Presidente norte-americano elevou o tom anti-migratório à medida que as caravanas avançam e se aproxima o dia das eleições intercalares. É já esta terça-feira que os eleitores norte-americanos vão votar para o Congresso e escolher os governadores dos Estados. São eleições que poderão redefinir o mapa políticos dos Estados Unidos e que, na prática vão poder influenciar a aprovação ou reprovação das iniciativas propostas pelo Presidente.
 

Os republicanos querem, no mínimo, manter os lugares conquistados em 2016: têm 33 governadores e dois terços das câmaras legislativas.

Donald Trump fez da imigração ilegal uma bandeira de campanha e, nos últimos dias, sucederam-se os anúncios para impulsionar a sua base política e desmotivar as chegadas de migrantes, a quem o Presidente dos Estados Unidos se refere como uma perigosa ameaça.
 
“Deixem-me começar por afirmar que estas caravanas ilegais não poderão entrar nos Estados Unidos e devem voltar para trás agora, porque estão a perder tempo. Os migrantes que procuram asilo terão de apresentar-se de forma legal num ponto de entrada”, afirmou Trump, na noite passada.
 
“Aqueles que escolherem violar as nossas leis e entrar ilegalmente não poderão mais recorrer às reivindicações sem mérito para obter admissão automática em nosso país”, acrescentou.


A lei federal prevê que qualquer imigrante nos Estados Unidos pode solicitar asilo, independentemente de entrar no país através de um porto de entrada designado.

A Administração Trump tem atuado em várias frentes. Na terça-feira, Donald Trump anunciou que ia rever a legislação que atribui a nacionalidade por direito de nascença a filhos de imigrantes em situação ilegal. 

Horas antes, Trump havia revelado que ia enviar 5.200 soldados para a fronteira com o México e admitiu que o número pode subir até “dez ou 15 mil”, no âmbito da operação “Patriota Fiel”.

Na quinta-feira publicou na página de Twitter um anúncio do Partido Republicano em que se relaciona os democratas e os imigrantes com o crime violento.
 
O anúncio junta imagens do julgamento do imigrante mexicano ilegal Luis Bracamontes, condenado pela morte de dois polícias em 2014, com excertos de reportagens das caravanas de migrantes, em que um entrevistado dizia que queria pedir perdão pelo crime de tentativa de assassinato.

Ao longo do anúncio são atribuídas responsabilidades aos democratas pelo acolhimento de migrantes.
 
Por: RTP